Prana Vidya

Maria Teresa de Moraes

Encontramos referência sobre Prana e Prana Vidya em vários textos clássicos do Yoga, mas em cada um há uma conotação diferente. Dentro do sistema Satyananda Yoga há uma sistematização específica para essa técnica que é essencialmente prática.

Prana é traduzido como energia vital, existência; e Vidya, como conhecimento. Prana Vidya é o conhecimento prático desta energia vital, desta existência.

Aqui precisamos entender o conceito de energia como algo mais do que simplesmente “o que faz alguma coisa se mover”. Prana significa a existência eterna, uma existência sem interrupção, a existência de toda a criação da vida. Qualquer coisa que esteja existindo, manifestada, isto é Prana, a energia da existência.

Conhecemos a famosa equação de Einstein: E = mc2 (energia é igual a massa vezes velocidade da luz ao quadrado), isto é, a matéria é energia em estado potencial. Há um pequeno experimento científico que podemos utilizar para ilustrar esse evento. Se olharmos para um pedaço de osso com nossos olhos nus, tudo o que veremos será uma simples parte de um osso. Mas se olharmos para o mesmo pedaço de osso sob um microscópio potente, o que veremos? Primeiro veremos moléculas, átomos, em seguida, o núcleo do átomo. Em última análise, descobriremos o comportamento fantástico de energia.

O pedaço de osso, que parecia ser matéria inerte, não estava realmente morto em tudo; somente nossos olhos eram incapazes de detectar a energia dentro dele. Os cientistas que têm se voltado para o estudo de campos de energia, sustentam que a chamada matéria estática também é permeada com energia prânica. Portanto, Prana não significa apenas a vida, significa a existência.

O significado etimológico do Prana é “vida em existência”. Onde existe mobilidade e estabilidade combinadas, existe Prana. Se um objeto é desprovido de Prana, ele vai se desintegrar.

Prana está manifestado na forma macro e microcósmica. Uma vida humana é uma manifestação microcósmica de Prana. É tudo que podemos ver e o que não podemos ver, seja uma existência consciente ou inconsciente no reino mineral, vegetal ou animal.

No corpo humano, quando o Prana se torna individualizado ele toma uma forma e é responsável por manter a coesão das moléculas e também pela personalidade sutil do indivíduo, seu padrão energético, por onde ele se expressa e interage com o mundo. Nós, humanos, temos consciência, sonhamos, temos sentimentos e por trás de todas estas coisas está o Prana.

O corpo prânico é composto pelos chakras, os centros energéticos que absorvem, metabolizam e distribuem o Prana nos mais de 75 mil nadis, a rede de energia, que por sua vez se utiliza dos 5 vayus ou tipos de Prana e 5 os koshas ou invólucros de energia sutil e suas diferentes funções.

De acordo com Prana Vidya, a energia é armazenada em Muladhara Chakra, o chakra raiz, revitalizada ou energizada em Manipura, o chakra da área do estômago, purificada em Vishuddhi, o chakra da garganta e distribuída ao corpo até Ajña, o chakra do meio da testa. Estes são os quatro chakras que usamos na prática do Prana Vidya: o despertar, a geração e revitalização em Manipura; a purificação em Vishuddhi; a distribuição em Ajña e o armazenamento no final da prática, em Muladhara.

Por exemplo, consideremos o chakra Manipura. Este é o principal centro de distribuição para o sistema digestivo e as glândulas suprarrenais. Como sabemos, as suprarrenais produzem o hormônio adrenalina. Se existe uma distribuição indevida de Prana no Manipura chakra para as glândulas suprarrenais, podemos sofrer de medo, pânico, psicose, colite e outras doenças somáticas.

Prana é a base da saúde humana e da doença. Mesmo uma doença psicológica pode ser tratada através do fornecimento de Prana. Portanto, no Yoga a hipótese é de que todas as doenças são causadas pela distribuição inadequada do Prana no corpo físico. Mesmo as doenças que são considerados de natureza psicológica são causadas por um desequilíbrio na distribuição prânica.

A primeira etapa de Prana Vidya é incrementar a consciência de nosso corpo prânico. Vivenciar a existência ininterrupta da vida que há em nós, é um propósito muito profundo que pode despertar para mudanças genuínas em nossa consciência.

Para esta prática, é necessário que coloquemos intensidade em seu propósito. Começamos pela imaginação do nosso corpo prânico, mas a imaginação deve se transformar em uma experiência, uma vivência, algo que podemos sentir e perceber em nós mesmos. Neste ponto conseguimos ficar fisicamente relaxados.

Segundo Swami Nirajananda existem 5 chaves de acesso ao corpo prânico: a consciência da respiração fisiológica e da respiração energética; a abstração dos sons ou nada yoga, a consciência da passagem psíquica ou movimento da energia, o símbolo psíquico – obtido pela prática de concentração e o despertar dos chakras.

Com a prática regular e profunda do Prana Vidya obtemos autoconhecimento que pode culminar em cura para todo o nosso ser, desde o físico, passando pelo energético ou psíquico até as nossas dimensões espirituais.

Referência:

Swami Anandaanandra – Itália – Seminário de Prana Vidya – em Moeda – BH – outubro de 2014

Site: http://www.yogamag.net/archives/1994/fnov94/five694.shtml

http://www.yogamag.net/archives/1980/emay80/pranavidya.shtml