A ÍNDIA E A TRADIÇÃO DO YOGA

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O Yoga é uma tradição espiritual. Tem origem nos Vedas, os textos sagrados mais antigos da humanidade, com mais de 7000 anos. A forma de transmissão dos Vedas era oral ou shruti – aquilo que é escutado. Os sábios ensinavam os seus discípulos oralmente, por gerações a fio. No final dos Vedas, os primeiros escritos aparecem, são os Upanishads, textos que vão atualizando o conteúdo védico e apresentando o que é hoje conhecido por Yoga, uma filosofia prática que oferece métodos para a libertação do homem da ignorância (esquecimento) de sua verdadeira natureza divina. Num momento seguinte, surgem as escolas filosóficas ou darshanas explicando o sentido da existência, do homem e do cosmo. São elas:

SAMKHYA – especulativa, dualista, complementa metafisicamente o Yoga. Não reconhece a existência de um Deus criador. Fala de uma dualidade original: Purusha (ser, espírito) e Prakriti (natureza, matéria).

YOGA – é a mais prática, oferece o método, a tecnologia, para a integração do ser consigo e com o cosmo.

VAISHESHIKA – estuda a teoria atômica e a teoria ondulatória do som. Afirma que som e luz são diferentes manifestações da mesma energia. Kanada foi o Einstein dessa época.

NYAYA – ocupa-se da lógica formal e da teoria do conhecimento.

PURVA MIMANSA – preocupa-se com a correta interpretação dos Vedas, com a exímia execução dos rituais e cerimônias religiosas.

VEDANTA – professa um monismo idealista, um princípio espiritual real (Brahman ou Atman) e um princípio não espiritual ilusório (maya) que devemos desvendar.

As seis escolas formam o que se conhece hoje por Hinduísmo ou Sanathana Dharma (a eterna lei), que é uma das religiões ou filosofias mais tolerantes do mundo e cujas principais características são:

    • Impermanência – metáfora do Rio Ganges que sempre flui, a trindade de deuses Brahma, Shiva e Vishnu.
    • Maya ou ilusão – dimensão relativa do mundo e da vida. O Yoga é um método para retirar paulatinamente os véus da ilusão.
    • Karma – todos os atos, do corpo, da fala e da mente, geram algo positivo ou negativo. “Que sombra minha eu crio?” Resulta e deriva do nosso fluxo de consciência.
    • Amor – abre a porta da nossa relação com o divino; dimensão do Todo, do “nós”, da comunidade, da família, do “eu-tu”. Sofrer é estar excluído, separado.
  • Iluminação ou auto-realizaçãofala da possibilidade do ser humano transcender, ascender ao reino divino, tornar-se um com Deus.

 

O codificador do Yoga foi o sábio Patanjali, que enumerou os oito passos do caminho espiritual, nomeando-o como Raja Yoga, que serve de base para todos os outros. São eles:

  • Yamas – os refreamentos
  • Niyamas – as observâncias
  • Asana – posturas psicofísicas
  • Pranayama – controle de prana pela respiração
  • Pratyahara – retraimento dos sentidos
  • Dharana – concentração
  • Dhyana – meditação
  • Samadhi – êxtase ou auto-realização

 

 

 

Quando Patanjali define Yoga nos seus Yogasutras, ele explica “Yoga é a cessação dos movimentos mentais”. Entendemos que é na calma da mente que os insights são produzidos.

Os yogues começaram então a perceber que as pessoas têm naturezas diversas, sendo algumas mais devocionais, outras racionais, etc., nascendo assim, as diferentes escolas do Yoga. O objetivo de todos os Yogas é a transcendência do ego humano (em Eu Divino), ou seja, a experiência da consciência cósmica: samadhi, nirvana, moksha. Os mais conhecidos são:

 

BAKTI YOGA – Yoga do amor a Deus ou da devoção

RAJA YOGA – Yoga real ou meditativa

KARMA YOGA – Yoga da ação desinteressada

JNANA YOGA – Yoga do conhecimento (obtido pela análise)

MANTRA YOGA – Yoga do manejo da vibração do som

TANTRA YOGA – Yoga da transmutação da energia sexual em espiritual

HATHA YOGA – Yoga da harmonização da energia solar (ha) com a lunar (tha)

 

O Yoga continuou a ser reeditado com mestres do porte de Mahatma Gandhi, Paramahansa Yogananda, Sri Aurobindo e outros. Atualmente vemos no Hatha Yoga a releitura do Yoga Clássico, com Patabi Jois e Iyengar. Como o Yoga transpassa os séculos, é natural que ele seja revisto e atualizado com as necessidades de cada época, porém, com o cuidado de não perder suas características essências, tão bem delineadas na obra máxima do mestre Patanjali.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

Feuerstein, G., A Tradição do Yoga – História, Literatura, Filosofia e Prática, Pensamento, São Paulo, 2001.

Vivekananda, S., Quatro Yogas de Auto-realização, Pensamento, São Paulo, 1972.

Kupfer, P., História do Yoga, Dharma, Florianópolis, 1999.

 

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