A MEDITAÇÃO PASSIVA E A MEDITAÇÃO ATIVA

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Meditação é um tema sobre o qual a maioria das pessoas já ouviu falar. Alguns compreendem intelectualmente seus aspectos, mas poucos realmente a experimentaram. Como outras experiências subjetivas, ela não pode ser descrita em palavras. A experiência é real, porém a descrição da experiência é de fato uma não-experiência, especialmente no caso da meditação. De qualquer maneira, faremos o melhor possível para lançar luz sobre este tema. Há dois tipos de meditação, a passiva e a ativa. A meditação ativa é aquela que ocorre quando desempenhamos nossos afazeres cotidianos, quando caminhamos, falamos, comemos e assim por diante. Isto é de fato a meta do Yoga: ensinar-nos a meditar enquanto estamos engajados nas atividades mundanas. Não significa que as atividades não serão feitas, ou serão feitas sem entusiasmo, e sim que tais afazeres externos serão realizados com mais eficiência e energia. A meditação passiva, por sua vez, é a prática de se sentar imóvel e relaxado, aquietando a mente sempre inquieta e tornando-a concentrada, permitindo assim que a experiência meditativa aconteça.

         Este tipo de meditação pode ser grosseiramente dividido em quatro estágios de aperfeiçoamento:

1) Fixar a mente durante a pratica meditativa em um objeto, imagem, som, respiração, etc. Isto acalma e fortalece a mente.

2) O sucesso no estágio 1 automaticamente conduz ao fluxo livre de pensamentos, complexos, visões, lembranças, entre outros, vindo das profundezas da mente inconsciente. Aqui é possível trabalhar sobre a mente automática removendo conteúdos indesejáveis.

3) Quando essa mente mecânica tenha sido plenamente explorada, o meditador começa explorar os níveis supraconscientes. Agora é que a meditação “verdadeira” começa. A fonte ilimitada de conhecimento e energia começa a se mostrar espontaneamente. O meditador pode até mesmo atinge uma grande sintonia com tudo a sua volta.

4) Eventualmente, as identificações são transcendidas e o meditador se reconhece como pura consciência. A meta do autoconhecimento é, então, atingida.

O sucesso na meditação passiva conduzirá automaticamente à meditação ativa, pois quanto mais fundo o meditador mergulhar na meditação passiva mais ele estará apto a usufruir dos estados meditativos enquanto realiza suas atividades. De fato, a intensa vivência da meditação passiva fortalece a expressão superficial da personalidade. Assim, a própria vida, o trabalho, os relacionamentos, etc., se tornam mais poderosos e a pessoa se torna capaz de realizar coisas consideradas impossíveis até então.

Eventualmente a meditação passiva se torna supérflua. Isso ocorre quando o meditador atinge o que se conhece como auto-realização. Neste estagio o indivíduo vive completamente conforme seus valores espirituais mais profundos, ao mesmo tempo em que é capaz de se expressar no mundo exterior. Nessa situação, a pessoa consegue viver a vida espiritual e a material sem qualquer conflito. Há uma experiência contínua e espontânea de ativa meditação.

A meditação é uma herança universal. É algo que todos podemos e deveríamos experenciar espontaneamente, mas não conseguimos devido ao nosso modo de vida. Nós estamos continuamente num estado de tensão porque não nos conhecemos. Estamos continuamente tentando fazer coisas que nos sentimos obrigados a fazer mesmo sendo elas, algumas vezes, contrárias à nossa natureza. Há um conflito contínuo entre o que é e o que desejamos. Nós somos sempre motivados a nos tornar algo diferente, ao invés de simplesmente sermos. Se pudéssemos unir o que somos e o que desejamos, então a meditação ocorreria espontaneamente.

Além do conhecimento intelectual e emocional, existe um outro tipo de conhecimento. Este é atingido nos estados meditativos e é uma forma de conhecimento mais real ou convincente. É conhecimento intuitivo capaz de apreender a totalidade da situação. Diferente do conhecimento racional, que procura chegar ao quadro completo a partir da compreensão de suas partes, a intuição capta diretamente o todo, a totalidade. Ela vem da parte supraconsciente da mente, da qual normalmente estamos inconscientes. Este tipo de conhecimento não depende nem do intelecto nem das emoções, os quais tendem a colorir ou distorcer o conhecimento real.

Durante a meditação uma ligação é feita entre as regiões mais elevadas da mente, comumente chamadas de supraconsciência, e o estado de vigília. Essa ligação permite que elevadas vibrações mentais sejam percebidas pela consciência do meditador. Estas elevadas vibrações sutis existem o tempo todo, mas normalmente não são perceptíveis. Algumas vezes elas são vistas, em raras ocasiões, na forma de flashes intuitivos, inspirações, momentos criativos. Normalmente estamos inconscientes destas vibrações, verdades e conhecimentos por causa do estado confuso e conflituoso de nossas mentes. Essas elevadas formas de conhecimento mostram as causas e verdades subjacentes às manifestações que vemos em nossa vida cotidiana. Os aspectos mais profundos de nossas existências mostram sua luz durante a meditação.

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