A VISÃO YOGUE DA ALIMENTAÇÃO

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O que é alimento?

É tudo o que ingerimos: materialmente (comida), energeticamente (ambiente, alimento, convívio com pessoas), emocionalmente (sentimentos, emoções, contato com negatividade ou harmonia), mentalmente (pensamentos, crenças, filmes, livros, música, distração) e espiritualmente (religiosidade, meditação, oração).

Segundo a tradição do Yoga, o universo é constituído de Prakriti – a matéria, o mundo físico, a natureza, a mãe, a forma, o corpo e Purusha – o espírito, o que anima a matéria, dá-lhe a vida, o pai, a essência, a semente.

São atributos ou qualidades da matéria – Prakriti – as Gunas – que mantém o espírito atado ao corpo. São três formas de manifestação: Satwa – luz, pureza, sabedoria, Rajas – fogo, movimento, cobiça e Tamas – trevas, inércia, ignorância.

Segundo a medicina Ayurvédica, existem três impulsos naturais que atuam em nós. São eles:

Satwa – o impulso de evoluir, avançar, progredir.

Tamas – o impulso oposto à evolução, ou seja, o de permanecer igual.

Rajas – o impulso à ação, a escolha, ao movimento.

Cada um de nós possui as três qualidades, mas com uma predominância de uma ou de outra das gunas.

Segundo o Dr. Deepak Chopra – em Saúde Perfeita – (vide bibliografia):

“As pessoas sátwicas gostam de progredir”. Sua mente não se prende à ação por si mesma, mas apenas se ela é criativa e promove a vida e a saúde.

“As pessoas rajásicas gostam de agir”. Sua mente trabalha constantemente e eles demonstram tendência à impaciência, impulsividade cargas cinéticas de todo o tipo.

“As pessoas tamásicas gostam de ficar como estão”. Sua mente não aprecia a ação e elas preferem o “status quo” estabelecido.

Esses tipos nunca são tão definidos, somos influenciados pelas três gunas, o que varia é o quanto cada uma está exercendo sua influência em nós.

Como os alimentos são partes do mundo físico, a eles também são aplicadas as gunas.

Os alimentos sátwicos são os que geram vibrações harmoniosas. São todos os vegetais, nos quais a vida entra lenta e gradualmente em atividade; todos os grãos que produzem novas vidas, conservadoras de uma vitalidade sempre crescente. Também as frutas que tornam o corpo sensível e harmoniza suas vibrações.

Os alimentos rajásicos são os produtores de energia, mas também de forças tumultuosas, cujas vibrações são muito fortes, porém não rítmicas. São aqueles que contêm a seiva vital, como os derivados de leite, ou proteínas animais. Esses alimentos têm alguma utilidade para o corpo, mas devem ser ingeridos com parcimônia.

Os alimentos tamásicos são os que produzem vibrações lentas e confusas. São todos os que não são frescos, como as carnes que se guardam por muito tempo; os alimentos que foram cozidos e ingeridos dias após; toda substância em decomposição. É preciso evitá-los.

Como ampliar satwa:

  • Consumir alimentos puros, água pura, evitar toxinas, agrotóxicos, químicos em geral
  • Descansar adequadamente, dormir bem, relaxar e clarear a mente.
  • Respirar adequadamente, se alimentando de energia vital cósmica.
  • Contatar a natureza, ar puro, caminhar na natureza, ver, ouvir a natureza.
  • Cercar-se de pessoas e ambientes amorosos e afetivos.
  • Ser amável, tolerante, gentil, menos exigente, menos crítico com você mesmo e com os outros.
  • Cultivar o sorriso, o contentamento interior, a gratidão pela vida.
  • Praticar meditação, oração ou qualquer prática que alimente seu espírito adequadamente.

 

 

Descrição das gunas segundo o Bagavad Gita:

 

Satwa

É pura e luminosa, atá-nos com o laço da felicidade. É o conhecimento brilhando em todas as portas do corpo.

São os alimentos que aumentam o vigor, a saúde, o bem estar e o apetite, que são saborosos, ricos, substanciosos e agradáveis. São os preferidos pelos sátwicos. Compreensão, luz da razão espiritual, espírito pleniconsciente.

Possui o dom da dar alegria e beatitude à alma livre de erros e fascinada pela verdade, portanto, produz felicidade.

Quando a luz divina penetra todas as faculdades do ser, satwa atingiu a maturidade.

Procede luz e pureza.

Os que vivem à luz de satwa pairam nas alturas da consciência do Eu Divino.

É ação sátwica que, constituindo a tarefa que nos cabe é executada sem apego, sem gosto ou desgosto, e sem desejo pelos frutos.

O fazedor é chamado sátwico quando abandonou todo apego, todo sentido do”eu “, que está pleno de firmeza e de fervor e que não busca o êxito nem o fracasso.

É entendimento sátwico o que distingue a ação da inação, o que deve se fazer e o que não se deve, o medo e a ausência do medo, a escravidão e a libertação.

É vontade sátwica, a que mantém uma constante harmonia entre as atividades da mente, a energia vital e os sentidos.

O que a princípio é como veneno, mas por fim é como néctar, o que nasce da serena realização da verdadeira natureza do Eu Divino, tal prazer é sátwico. (Bagavad Gita segundo Gandhi)

 

Rajas

É de caráter passional, a fonte dos desejos e dos apegos, mantém o homem atado com os laços da ação.

Anelos, atividade, compromissos, intranqüilidade, desejo são evidentes quando predomina rajas.

Alimentos que são amargos, ácidos, salgados, muito condimentados, picantes, secos, ardentes que causam dor e sofrimento e enfermidade são os preferidos pelos rajásicos.

Força mental da inteligência.

Intelecto semiconsciente.

A paixão que cria cobiça, empolga a alma pelo apego às obras. Gera atividades e desejo de conhecer.

Quando desejos, cobiça, ganância, ambição e dinamismo externo perturbam o sossego da alma, rajas está dominando.

De rajas, nascem torturas.

Os que vivem dominados por rajas guiam-se pela consciência do ego mental.

É ação rajásica a impulsionada pelo desejo dos frutos ou pelo sentido do “eu”, e leva consigo muita dissipação de energia.

O fazedor é rajásico quando é apaixonado, desejoso dos frutos da ação, cobiçoso, violento, impuro, afetado pelas penas e alegrias.

É entendimento rajásico o que decide equivocadamente entre o bem e mal, entre o que se deve fazer e o que não se deve fazer.

É vontade rajásica, a que adere com apego à retidão, os desejos e a riqueza, buscando em cada caso o fruto.

O prazer é chamado rajásico quando nasce do contato com seus objetos; é como néctar á principio, mas termina como veneno. (Bagavad Gita segundo Gandhi)

 

Tamas

Tamas- nascida da ignorância, é o engano do homem mortal, mantêm-no atado aos laços da preguiça e do sonho (negligência).

Ignorância, torpeza, negligência e engano, são evidentes quando reina tamas.

Alimento que esfriou, insípido, decomposto, rançoso, é o preferido pelo tamásico.

Ignorar.

Inércia passiva da matéria.

Matéria inconsciente.

Nasce da ignorância e é causa da auto-ilusão em todas as coisas um nada que domina o mundo inteiro e liga a alma pela inércia da passividade. Resiste à luz da sapiência pelas trevas da insapiência.

Quando estupidez, inércia e arrogante ignorância, erro, incerteza e superstição se apodera do ser, tamas tomou conta.

Tamas gera ignorância.

Os que vivem em tamas só conhecem a vida corporal.

É ação tamásica a que se empreende cegamente, sem consideração pela capacidade nem por suas conseqüências e leva consigo perdas e danos.

O fazedor é tamásico quando é indisciplinado, vulgar, obstinado, rancoroso, indolente, angustiado e lento.

É entendimento tamásico o que está coberto pela escuridão, toma o mal pelo bom, confunde tudo com seu oposto.

É vontade tamásica a do homem incensato, dominado pelo sonho, o temor, o pesar, o desespero e a presunção.

É prazer tamásico o que surge do sonho, da preguiça e da negligência; embota a alma tanto no princípio como no fim. (Bagavad Gita)

 

Bibliografia

 

Bagavad Gita segundo Gandhi

Ícone Editora – 1992

 

Bagavad Gita – comentários de Rohden

Ed. Alvorada.

 

Saúde Perfeita

Dr. Deepak Chopra

Ed. Best Seller – 1990

 

Liberada através da alimentação

Ioná Teenguarden

Ed. Ground

 

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