ANATOMIA, FISIOLOGIA E CINESIOLOGIA APLICADAS AO YOGA

Artigos

A fisiologia (do grego, physis = natureza e logos = palavra ou estudo) é o ramo da biologia que estuda as múltiplas funções mecânicas, físicas e bioquímicas nos seres vivos. De uma forma mais sintética, a fisiologia estuda o funcionamento do organismo.

A cinesiologia é a ciência que tem como enfoque a análise dos movimentos do corpo humano. O nome cinesiologia vem do grego kínesis = movimento + logos = tratado, estudo.

A finalidade da Cinesiologia é compreender as forças que atuam sobre o corpo humano e manipular estas forças em procedimentos de tratamento tais que o desempenho humano possa ser melhorado e lesão adicional possa ser prevenida.

A anatomia (ana = em partes; tomein = cortar) é a ciência que estuda, macro e microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados.

A anatomia humana é a ciência que estuda a forma, o desenvolvimento e a estrutura do corpo humano. Como a estrutura é o arcabouço que faz possível a função, o conhecimento da anatomia humana é a base de que depende a compreensão da função.

É importante salientar que existem fatores de variações anatômicas individuais tais como: idade, sexo, raça, biotipo e evolução (da espécie).

O corpo humano é composto de células que se combinam para formar os tecidos, que se associam para constituir os diversos órgãos, que executam tarefas específicas e compõem os sistemas orgânicos.

Os sistemas do corpo humano são:

SISTEMA ESQUELÉTICO

Compreende os ossos, cartilagens e as conexões entre os ossos (articulações). Sua função é proteger órgãos como o coração, os pulmões e o sistema nervoso central; sustentar o corpo; formar um sistema de alavancas que movimentados pelos músculos permitem os deslocamentos do corpo; ser um local de produção de certas células sanguíneas.

  1. Posição Anatômica:

Indivíduo em posição ereta (em pé, posição ortostática ou bípede), com a face voltada para frente, o olhar dirigido para o horizonte, membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente. Membros inferiores unidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente.

  • Na posição deitada:

–           Decúbito dorsal: com o dorso acolado ao chão

–           Decúbito ventral: com o ventre acolado ao chão

–           Decúbito lateral: de lado

   1.a. Planos de delimitação do corpo:

–           Plano ventral ou anterior

–           Plano dorsal ou posterior

–           Planos laterais direito e esquerdo

–           Plano cranial ou superior

–           Plano podálico ou inferior

     1.b. Planos de Secção do corpo:

–           Plano mediano – divide o corpo em metade direita e metade esquerda

–           Plano sagital ou corte sagital – toda secção feita em planos paralelos ao meridiano

–           Plano frontal – são paralelos aos planos ventral e dorsal

–           Plano transversal – são paralelos aos planos cranial e podálico (horizontais)

     1.c. Eixos do corpo:

–           Eixo sagital ou antero-posterior – une o centro do plano ventral ao centro do plano dorsal

–           Eixo longitudinal ou crânio-caudal – une o centro do plano cranial ao centro do plano podálico

–           Eixo transversal ou látero-lateral – une o centro do plano lateral direito ao esquerdo

  1. Articulações ou junturas

Conexão existente entre quaisquer partes rígidas do esqueleto, quer sejam ossos ou cartilagens.

Têm a finalidade de colocar os ossos em contato e de permitir mobilidade.

2.2. Principais movimentos realizados pelos segmentos do corpo:

O movimento em uma articulação se faz em torno de um eixo, denominado eixo de movimento. A direção é ântero-posterior (ventro-dorsal); látero-lateral e longitudinal (crânio-caudal). A direção do eixo de movimento é sempre perpendicular ao plano no qual se realiza o movimento em questão.

Os movimentos são:

2.2.a. Movimentos angulares:

Há uma diminuição ou aumento do ângulo entre o segmento que se desloca e aquele que permanece fixo. Quando diminui o ângulo diz-se que há flexão; quando ocorre aumento há extensão.

2.2.b. Adução e abdução:

São movimentos nos quais o segmento é deslocado, respectivamente, em direção ao plano mediano ou em direção oposta, afastando-se dele.

2.2.c. Rotação:

É o movimento em que o segmento gira em torno de um eixo longitudinal (vertical).

Quando a face anterior do membro gira em direção ao plano mediano, denomina-se rotação medial; o movimento oposto diz-se, rotação lateral.

2.2.d. Circundução:

É o movimento combinatório entre adução, abdução, extensão e flexão.

SISTEMA MUSCULAR

É o conjunto de músculos que movem partes do corpo que mantém ou mudam sua posição no espaço. Os músculos são unidades contráteis da estrutura corporal. Encontram-se em todo lugar onde uma parte do corpo se move sobre a outra, seja no rápido piscar dos olhos, seja na elevação de um braço, como também no controle visceral.

As células musculares são especializadas na contração e no relaxamento. Agrupam-se em feixes, chamados ventres musculares, que são fixados nos ossos por meio dos tendões. Assim, músculos são estruturas que movem os segmentos do corpo por encurtamento da distância que existe entre suas extremidades fixadas, ou seja, pela contração.

Sua função é dinâmica e estática, isto é, movimenta o corpo e controla vísceras, mantém unidos os ossos, determinando a posição e a postura do esqueleto.

Tipos de músculos:

  • Músculo liso ou involuntário: reveste as paredes de órgãos dos sistemas circulatórios, digestivo, respiratório e urogenital. Contrai em resposta a impulsos nervosos de partes do sistema nervoso autônomo ou involuntário.
  • Músculo cardíaco: tem a capacidade inerente de iniciar seu próprio impulso de contração, independentemente do sistema nervoso.
  • Músculo esquelético ou estriado ou voluntário: está sob o controle da vontade, embora sua função possa tornar-se semi-automática com a repetição e o treino. Têm função estática ou dinâmica.

Inervação Muscular: para que se deflagre a contração das fibras musculares voluntárias são necessários impulsos de células nervosas situadas no sistema nervoso central e conduzidas por fibras nervosas.

O aparelho locomotor é constituído pelos ossos e articulações(sistema esquelético) que são elementos passivos do movimento e pelos músculos (sistema muscular) que são elementos ativos do movimento, formando as alavancas biológicas.

 

SISTEMA CARDIOVASCULAR

O sistema cardiovascular ou circulatório é uma vasta rede de tubos de vários tipos e calibres, que põem em comunicação todas as partes do corpo. Dentro desses tubos circula o sangue, impulsionado pelas contrações rítmicas do coração.

O sistema circulatório permite que algumas atividades sejam executadas com grande eficiência, tais como:

 

  1. transporte de gases: os pulmões, responsáveis pela obtenção de oxigênio e pela eliminação de dióxido de carbono, comunicam-se com os demais tecidos do corpo por meio do sangue.
  2. transporte de nutrientes: no tubo digestivo, os nutrientes resultantes da digestão passam através de um fino epitélio e alcançam o sangue. Por essa verdadeira “auto-estrada”, os nutrientes são levados aos tecidos do corpo, nos quais se difundem para o líquido intersticial que banha as células.
  3. transporte de resíduos metabólicos: a atividade metabólica das células do corpo origina resíduos, mas apenas alguns órgãos podem eliminá-los para o meio externo. O transporte dessas substâncias, de onde são formadas até os órgãos de excreção, é feito pelo sangue.
  4. transporte de hormônios: hormônios são substâncias secretadas por certos órgãos, distribuídas pelo sangue e capazes de modificar o funcionamento de outros órgãos do corpo. A colecistocinina, por exemplo, é produzida pelo duodeno, durante a passagem do alimento, e lançada no sangue. Um de seus efeitos é estimular a contração da vesícula biliar e a liberação da bile no duodeno.
  5. intercâmbio de materiais: algumas substâncias são produzidas ou armazenadas em uma parte do corpo e utilizadas em outra parte. Células do fígado, por exemplo, armazenam moléculas de glicogênio, que, ao serem quebradas, liberam glicose, que o sangue leva para outras células do corpo.
  6. transporte de calor: o sangue também é utilizado na distribuição homogênea de calor pelas diversas partes do organismo, colaborando na manutenção de uma temperatura adequada em todas as regiões; permite ainda levar calor até a superfície corporal, onde pode ser dissipado.
  7. distribuição de mecanismos de defesa: pelo sangue circulam anticorpos e células fagocitárias, componentes da defesa contra agentes infecciosos.
  8. coagulação sangüínea: pelo sangue circulam as plaquetas, pedaços de um tipo celular da medula óssea (megacariócito), com função na coagulação sangüínea. O sangue contém ainda fatores de coagulação, capazes de bloquear eventuais vazamentos em caso de rompimento de um vaso sangüíneo.

 

O SISTEMA DIGESTÓRIO

O sistema digestório humano é formado por um longo tubo musculoso, ao qual estão associados órgãos e glândulas que participam da digestão. Apresenta as seguintes regiões: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus.

Esses órgãos e vias recebem, digerem e absorvem os alimentos e produzem enzimas.

SISTEMA EXCRETOR

O sistema excretor é formado por um conjunto de órgãos que filtram o sangue, retirando dele os produtos residuais além de produzirem e excretarem a urina – o principal líquido de excreção do organismo. É constituído por um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra.

SISTEMA GENITAL OU REPRODUTOR

Tem como função produzir as células sexuais para a fertilização. Na mulher, esses órgãos nutrem e protegem o bebê até o nascimento.

O sistema reprodutor masculino é formado por: testículos ou gônadas, vias espermáticas: epidídimo, canal deferente, uretra; pênis, escroto e glândulas anexas: próstata, vesículas seminais, glândulas bulbouretrais.

O sistema reprodutor feminino é constituído por dois ovários, duas tubas uterinas (trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora.

SISTEMA TEGUMENTAR

O tegumento humano, mais conhecido como pele, é formado por duas camadas distintas, firmemente unidas entre si: a epiderme e a derme. Exerce grande importância na proteção e na termorregulação do corpo.

 

SISTEMA ENDÓCRINO

Dá-se o nome de sistema endócrino ao conjunto de órgãos que apresentam como atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios, que são lançados na corrente sangüínea e irão atuar em outra parte do organismo, controlando ou auxiliando o controle de sua função. Os órgãos que têm sua função controlada e/ou regulada pelos hormônios são denominados órgãos-alvo.

Os hormônios influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas corporais. Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formando mecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. Dessa forma, o sistema endócrino, juntamente com o sistema nervoso, atuam na coordenação e regulação das funções corporais.

Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios no homem são a hipófise, o hipotálamo, a tireóide, as paratireóides, as supra-renais, o pâncreas e as gônadas.

Hipófise ou pituitária

Situa-se na base do encéfalo, em uma cavidade do osso esfenóide chamada tela túrcica. Nos seres humanos tem o tamanho aproximado de um grão de ervilha e possui duas partes: o lobo anterior (ou adeno-hipófise) e o lobo posterior (ou neuro-hipófise).

Além de exercerem efeitos sobre órgãos não-endócrinos, alguns hormônios, produzidos pela hipófise são denominados trópicos (ou tróficos) porque atuam sobre outras glândulas endócrinas, comandando a secreção de outros hormônios. São eles:

Tireotrópicos: atuam sobre a glândula endócrina tireóide.

Adrenocorticotrópicos: atuam sobre o córtex da glândula endócrina adrenal (supra-renal)

Gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas masculinas e femininas.

Somatotrófico: atua no crescimento, promovendo o alongamento dos ossos e estimulando a síntese de proteínas e o desenvolvimento da massa muscular. Também aumenta a utilização de gorduras e inibe a captação de glicose plasmática pelas células, aumentando a concentração de glicose no sangue (inibe a produção de insulina pelo pâncreas, predispondo ao diabetes).

Hipotálamo

Localizado no cérebro diretamente acima da hipófise, é conhecido por exercer controle sobre ela por meios de conexões neurais e substâncias semelhantes a hormônios chamados fatores desencadeadores (ou de liberação), o meio pelo qual o sistema nervoso controla o comportamento sexual via sistema endócrino.

O hipotálamo estimula a glândula hipófise a liberar os hormônios gonadotróficos (FSH e LH), que atuam sobre as gônadas, estimulando a liberação de hormônios gonadais na corrente sanguínea. Na mulher a glândula-alvo do hormônio gonadotrófico é o ovário; no homem, são os testículos. Os hormônios gonadais são detectados pela pituitária e pelo hipotálamo, inibindo a liberação de mais hormônio pituitário, por feed-back.

Como a hipófise secreta hormônios que controlam outras glândulas e está subordinada, por sua vez, ao sistema nervoso, pode-se dizer que o sistema endócrino é subordinado ao nervoso e que o hipotálamo é o mediador entre esses dois sistemas.

O hipotálamo também produz outros fatores de liberação que atuam sobre a adeno-hipófise, estimulando ou inibindo suas secreções. Produz também os hormônios ocitocina e ADH (antidiurético), armazenados e secretados pela neuro-hipófise.

Tireóide

Localiza-se no pescoço, estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia. Seus dois hormônios, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), aumentam a velocidade dos processos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo, elevando a taxa metabólica e a geração de calor. Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese de proteínas, estando relacionados ao crescimento, maturação e desenvolvimento. A calcitonina, outro hormônio secretado pela tireóide, participa do controle da concentração sangüínea de cálcio, inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma sangüíneo, estimulando sua incorporação pelos ossos.

Paratireóides

São pequenas glândulas, geralmente em número de quatro, localizadas na região posterior da tireóide. Secretam o paratormônio, que estimula a remoção de cálcio da matriz óssea (o qual passa para o plasma sangüíneo), a absorção de cálcio dos alimentos pelo intestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais, aumentando a concentração de cálcio no sangue. Neste contexto, o cálcio é importante na contração muscular, na coagulação sangüínea e na excitabilidade das células nervosas.

Adrenais ou supra-renais

São duas glândulas localizadas sobre os rins, divididas em duas partes independentes – medula e córtex – secretoras de hormônios diferentes, comportando-se como duas glândulas. O córtex secreta três tipos de hormônios: os glicocorticóides, os mineralocorticóides e os androgênicos.

Pâncreas

É uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determinadas regiões endócrinas e determinadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam as secreções para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. As chamadas ilhotas de Langerhans são a porção endócrina, onde estão as células que secretam os dois hormônios: insulina e glucagon, que atuam no metabolismo da glicose.

Gônodas

As gônadas masculinas – os testículos – produzem a testosterona, que dão origem aos espermatozóides e às características viris do homem, a voz grossa, a barba, etc.

Os ovários – gônodas femininas- secretam o estrógeno e a progesterona. O primeiro estimula o aparecimento das características sexuais femininas como os seios e quadris e também amadurece os óvulos. O segundo prepara o organismo para a gravidez.

SISTEMA LINFÁTICO

Sistema paralelo ao circulatório, constituído por uma vasta rede de vasos semelhantes às veias (vasos linfáticos), que se distribuem por todo o corpo e recolhem o líquido tissular que não retornou aos capilares sangüíneos, filtrando-o e reconduzindo-o à circulação sangüínea.

É constituído pela linfa, vasos e órgãos linfáticos.

Os capilares linfáticos estão presentes em quase todos os tecidos do corpo. Capilares mais finos vão se unindo em vasos linfáticos maiores, que terminam em dois grandes dutos principais: o duto torácico (recebe a linfa procedente da parte inferior do corpo, do lado esquerdo da cabeça, do braço esquerdo e de partes do tórax) e o duto linfático (recebe a linfa procedente do lado direito da cabeça, do braço direito e de parte do tórax), que desembocam em veias próximas ao coração.

Linfa: líquido que circula pelos vasos linfáticos. Sua composição é semelhante à do sangue, mas não possui hemácias, apesar de conter glóbulos brancos dos quais 99% são linfócitos. No sangue os linfócitos representam cerca de 50% do total de glóbulos brancos.

Órgãos linfáticos: amígdalas (tonsilas), adenóides, baço, linfonodos ( nódulos linfáticos) e timo (tecido conjuntivo reticular linfóide: rico em linfócitos).

SISTEMA RESPIRATÓRIO

È um conjunto de vias e órgãos de condução de ar para as trocas de oxigênio e dióxido de carbono.

O sistema respiratório humano é constituído por um par de pulmões e por vários órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. Esses órgãos são as fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios, os bronquíolos e os alvéolos, os três últimos localizados nos pulmões.

Fossas nasais: são duas cavidades paralelas que começam nas narinas e terminam na faringe. Elas são separadas uma da outra por uma parede cartilaginosa denominada septo nasal. Em seu interior há dobras chamada cornetos nasais, que forçam o ar a turbilhonar. Possuem um revestimento dotado de células produtoras de muco e células ciliadas, também presentes nas porções inferiores das vias aéreas, como traquéia, brônquios e porção inicial dos bronquíolos. No teto das fossas nasais existem células sensoriais, responsáveis pelo sentido do olfato. Têm as funções de filtrar, umedecer e aquecer o ar.

Faringe: é um canal comum aos sistemas digestório e respiratório e comunica-se com a boca e com as fossas nasais. O ar inspirado pelas narinas ou pela boca passa necessariamente pela faringe, antes de atingir a laringe.

Laringe: é um tubo sustentado por peças de cartilagem articuladas, situado na parte superior do pescoço, em continuação à faringe. O pomo-de-adão, saliência que aparece no pescoço, faz parte de uma das peças cartilaginosas da laringe.

A entrada da laringe chama-se glote. Acima dela existe uma espécie de “lingüeta” de cartilagem denominada epiglote, que funciona como válvula. Quando nos alimentamos, a laringe sobe e sua entrada é fechada pela epiglote. Isso impede que o alimento ingerido penetre nas vias respiratórias.

O epitélio que reveste a laringe apresenta pregas, as cordas vocais, capazes de produzir sons durante a passagem de ar.

Traquéia: é um tubo de aproximadamente 1,5 cm de diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento, cujas paredes são reforçadas por anéis cartilaginosos. Bifurca-se na sua região inferior, originando os brônquios, que penetram nos pulmões. Seu epitélio de revestimento muco-ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes em suspensão no ar inalado, que são posteriormente varridas para fora (graças ao movimento dos cílios) e engolidas ou expelidas.

Pulmões: Os pulmões humanos são órgãos esponjosos, com aproximadamente 25 cm de comprimento, sendo envolvidos por uma membrana serosa denominada pleura. Nos pulmões os brônquios ramificam-se profusamente, dando origem a tubos cada vez mais finos, os bronquíolos. O conjunto altamente ramificado de bronquíolos é a árvore brônquica ou árvore respiratória.

Cada bronquíolo termina em pequenas bolsas formadas por células epiteliais achatadas (tecido epitelial pavimentoso) recobertas por capilares sangüíneos, denominadas alvéolos pulmonares.

Diafragma: A base de cada pulmão apóia-se no diafragma, órgão músculo-membranoso que separa o tórax do abdomen, presente apenas em mamíferos, promovendo, juntamente com os músculos intercostais, os movimentos respiratórios. Localizado logo acima do estômago, o nervo frênico controla os movimentos do diafragma (ver controle da respiração)

SISTEMA NERVOSO

O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das funções corporais.

No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as células da glia (ou da neuróglia). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem tais funções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ou externos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula apta a responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. No entanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétrica transmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurônios transmitem essa onda de excitação – chamada de impulso nervoso – por toda a sua extensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se à propriedade de condutibilidade.

Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelo sistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como a mensagem nervosa é transmitida.

Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo, o citoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos, que podem ser subdivididos em dendritos e axônios.

Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixes chamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP).

O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens.

O Sistema Nervoso Periférico é formado por nervos e gânglios, que se encarregam de fazer as ligações entre o S. N. Central e o corpo. Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os nervos sensoriais (nervos aferentes ou nervos sensitivos), que são formados por prolongamentos de neurônios sensoriais (centrípetos). Aqueles que transmitem impulsos do SNC para os músculos ou glândulas são nervos motores ou eferentes, feixe de axônios de neurônios motores (centrífugos).

Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e por neurônios motores.

Quando partem do encéfalo, os nervos são chamados de cranianos; quando partem da medula espinhal denominam-se raquidianos. O conjunto desses nervos forma então o S.N. Periférico.

O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo (hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que se divide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO, situado cranialmente; e PONTE, situada entre ambos.

O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes:

  • Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são formados por pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23 pares.
  • Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição, como o estômago, o coração e os pulmões.
  • Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos, fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistema nervoso cefalorraquidiano.

Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.

O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias (antagônicas). Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos.

O SNP autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia, permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por exemplo, o sistema simpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da pressão arterial, da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo.

Já o SNP autônomo parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes, como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre outras.

Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e parassimpáticos é que as fibras pós-ganglionares dos dois sistemas normalmente secretam diferentes hormônios. O hormônio secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina, razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos.

Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente noradrenalina, razão por que a maioria deles é chamada neurônios adrenérgicos. As fibras adrenérgicas ligam o sistema nervoso central à glândula supra-renal, promovendo aumento da secreção de adrenalina, hormônio que produz a resposta de “luta ou fuga” em situações de estresse.

A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibir outros, de maneira antagônica.

Órgão Efeito da estimulação simpática Efeito da estimulação parassimpática
Olho: pupila

Músculo ciliarDilatada

nenhumContraída

ExcitadoGlândulas gastrointestinaisvasoconstriçãoEstimulação de secreçãoGlândulas sudoríparassudaçãoNenhumCoração: músculo (miocárdio)

CoronáriasAtividade aumentada

VasodilataçãoDiminuição da atividade

ConstriçãoVasos sanguíneos sistêmicos:

Abdominal

Músculo

PeleConstrição

Dilatação

Constrição ou dilataçãoNenhum

Nenhum

NenhumPulmões: brônquios

Vasos sangüíneosDilatação

Constrição moderadaConstrição

NenhumTubo digestivo: luz

EsfíncteresDiminuição do tônus e da peristalse

Aumento do tônusAumento do tônus e do peristaltismo

Diminuição do tônusFígadoLiberação de glicoseNenhumRimDiminuição da produção de urinaNenhumBexiga: corpo

EsfíncterInibição

ExcitaçãoExcitação

InibiçãoAto sexual masculinoEjaculaçãoEreçãoGlicose sangüíneaAumentoNenhumMetabolismo basalAumento em até 50%NenhumAtividade mentalAumentoNenhumSecreção da medula supra-renal (adrenalina)AumentoNenhum

Em geral, quando os centros simpáticos cerebrais se tornam excitados, estimulam, simultaneamente, quase todos os nervos simpáticos, preparando o corpo para a atividade.

Bibliografia:

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