APRENDENDO O YOGA

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Onde concentrar-se durante os asanas

É possível obter proveito da ginástica ocidental sem levar em conta a atitude mental ou a concentração, mas estas, unidas ao relaxamento, são indispensáveis na prática do yoga, incluindo os asanas (as posturas psicofísicas).

Mas, onde e como concentrar-se?

Para cada asana indicamos sempre, onde concentrar-se; mas você deve conhecer as regras gerais neste tema. Os antigos tratados também mencionam o lugar da concentração, porém eles se dirigem aos alunos muitos avançados, porque a concentração sobre esses pontos não é possível – nem sequer é aconselhável – sem que a técnica dos asanas tenha sido perfeitamente dominada. O principiante deve concentrar-se em outros pontos, diferente dos veteranos, Isto é esquecido ou ignorado muito freqüentemente.

  • Durante a fase dinâmica O principiante dirigirá primeiro sua atenção à aquisição da técnica correta da postura em todos os seus detalhes, até o momento em que a tenha assimilado perfeitamente e possa realizar o movimento sem ter que prestar-lhe atenção assim como se dirige um carro, em que se faz todos os gestos com precisão sem ter que pensar neles.2oConcentração no relaxamentoEssa segunda etapa, normalmente mais longa que a primeira, é indispensável e não se pode saltá-la. Não omitir o relaxamento do rosto, especialmente da boca, sem esquecer a língua. Nesta fase, a imagem mental ajudará muito o yogue aprendiz. Imagina-se, ao executar o Arado (Halasana), por exemplo, que seus pés são muito leves e, depois de relaxá-los, elevá-los, só contraindo o abdômen. O praticante se surpreenderá com a facilidade com que se elevam as pernas (para se colocar na postura).3oConcentração na respiração Esta é a etapa final. Para executar o asana de forma verdadeiramente yogue, quando o aluno eleva as pernas (no exemplo da postura do Arado), os pés percorrem sua trajetória a uma velocidade, ou melhor, com uma lentidão – constante, até que os dedos toquem o solo. E o mesmo na volta.  
    1. O yoga não tolera nem trancos, nem aceleração ou diminuição da velocidade. Essa progressão dos asanas se converte em prazer e proporciona ao eventual espectador uma impressão de tranqüilo controle, semelhante a do fluxo de um rio calmo que flue com inexorável lentidão até o mar. Praticando assim os asanas, a concentração se realiza automaticamente, porque, já que se trata de grupos diferentes de músculos que se relacionam sucessivamente, o sincronismo necessário para se manter o movimento a uma lentidão rigorosamente uniforme absorve toda a atenção.
    2. 4oConcentração no movimento constante e uniforme
    3. Quando o praticante é capaz de executar o movimento de modo reflexo e relaxado, vai enfocar sua atenção no alento, a fim de respirar de modo normal e contínuo (salvo indicações particulares) durante todo o movimento. Somente os alunos muitos avançados podem desrespeitar essa regra, seguindo as instruções de um guru (mestre). Deve-se continuar respirando normalmente, porque se a respiração é detida, bloqueia-se o diafragma e a pessoa se congestiona. Quando um iniciante eleva as pernas se colocando sobre as espáduas, tem a tendência a reter o alento, o que se observa imediatamente em seu rosto que fica vermelho.
    4. Basta alguns dias ou algumas semanas, para se conseguir essa primeira etapa, após a qual a concentração se dirigira à execução econômica do asana, isto é, utilizando o menor número possível de músculos e contraindo-os minimamente, ao mesmo tempo em que se mantêm relaxados os outros grupos musculares.
    5. 1o.Concentração na técnica correta
    6. O centro da atenção difere no que se trata da fase dinâmica ou da fase estática e varia também segundo o grau de evolução do praticante.
  • Durante a fase estática1oConcentração na imobilidade relaxada O praticante vigia sempre a descontração muscular. Para tomar novamente o exemplo da Postura do Arado, ele relaxará especialmente o rosto, os braços, as mãos, os pés, as panturrilhas, as coxas e, sobretudo, os músculos submetidos ao estiramento, isto é, os dorsais. Este estiramento esvazia os músculos trabalhados do seu fluxo sanguíneo, como se estirasse uma esponja, e quando voltam a seu estado normal no final da postura, aspiram avidamente o sangue fresco. Este estiramento é o segredo da flexibilidade no Hatha Yoga e devolve aos músculos sua elasticidade normal. Quantos ocidentais são incapazes de se sentarem no chão com as pernas estendidas! Músculos com sua elasticidade normal permitem-nos adotar, em qualquer circunstância, uma atitude confortável. Se os músculos da coluna vertebral estão encurtados pela inércia (como sucede em 99% dos civilizados), a coluna fica rígida e qualquer movimento brusco, mesmo que não seja violento, pode ocasionar um problema ocasional nas vértebras que será preciso a intervenção de um médico ou um quiropraxista. Quando o praticante pode permanecer imóvel e relaxado, respirando normalmente, pode concentrar-se na região estratégica de ação do asana.E aí que o adepto concentrará sua atenção. A partir deste ponto, o asana responde a definição de Alain Daniélou, a melhor que já encontramos: “um asana é qualquer posição que se pode manter imóvel, por um longo tempo e sem esforço”.  
  1. Estas regras lhe permitirão determinar, qualquer que seja seu grau de adiantamento no yoga, onde e como se concentrar. Observemos que um mesmo aluno pode comportar-se diferentemente segundo os diversos asanas, quer dizer, como um iniciante para um asana que está aprendendo, mesmo quando está no estado mais avançado para outros asanas que conhece a fundo.
  2. Este é o ponto mencionado nos antigos tratados; mas observamos que uma boa preparação faz falta antes de se chegar a essa concentração. Cada asana, e isto é uma das características essenciais entre o yoga que o diferencia de todas os outros métodos de Educação Física – produz efeitos bem determinados sobre uma parte do corpo, por exemplo, na região das tireóides durante a postura da vela (Sarvangasana), na região do plexo solar durante a postura do Arco (Dhanurasana), etc.
  3. 2o Concentração no ponto estratégico do asana
  4. Se os músculos estão relaxados em sua extensão normal, podem realizar qualquer movimento, porque as vértebras se articulam livremente e voltam por si mesmas ao lugar, mas se a coluna vertebral está rígida, diante da menor queda ou do menor acidente de carro, pode ter conseqüências trágicas, ao passo que uma musculatura que se mantém relaxada e forte, resiste a choques que certamente prejudicaria uma coluna não trabalhada.
  5. O principiante se concentrará em manter uma imobilidade absoluta que, unida a uma soltura, é o elemento capital da fase estática (salvo instruções particulares de algum asana). A respiração prossegue normalmente, ou inclusive se amplifica durante a fase estática.

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