AS CONCENTRAÇÕES VISUAIS E MENTAIS DO YOGA

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Há no Yoga inúmeras técnicas que trabalham com a concentração visual e mental, fundamentadas na compreensão de que olhos, cérebro e mente, têm uma estreita correlação.

Apresentamos o trataka, o drishti e o ekagrata.

TRATAKA é a concentração do olhar num só objeto. Relacionado com a percepção visual, é considerado um exercício de purificação, tonificação e descanso para os órgãos da visão.

A fixação externa é bahiranga trataka. Consiste em depositar o olhar sem piscar e até lacrimejar, com o propósito de limpeza e purificação ocular, além de fortalecimento dos músculos e nervos óticos, num ponto, na unha do polegar, numa flor, na chama da vela ou na imensidão do azul do céu.

O antaranga trataka é um exercício interno, que envolve visualização. É a projeção, na tela mental, do objeto escolhido. Busca-se obter a mesma nitidez da imagem, forma e detalhes, de quando se olha o objeto externamente.

Quando se usa alternadamente os dois exercícios, de olhos abertos e depois de olhos fechados, pratica-se o antarbahiranga trataka.

Trataka tornam os olhos mais sadios, minimizam e previnem problemas como miopia e astigmatismo.

DRISHTI são técnicas de fixação do olhar. A palavra drishti deriva de drs, que significa olhar e conhecimento. É um exercício que associa o trabalho dos olhos com o treinamento da mente para chegar ao conhecimento (no Yoga, conhecimento da própria natureza transcendente e integrada com o universo).

Os drishti mais usados são: fixação do olhar na ponta do nariz – nasagra drishti, no ponto entre as sobrancelhas – bhrumadhya drishti e no vazio – bhuchari drishti.

Outras estabilizações do olhar são feitas, como, taraka drishti – na imagem de uma estrela, chandra drishti – na lua, agni drishti – no fogo, surya drishti – no sol, ao nascer ou no sol poente.

Podem ser praticados isoladamente, pois oferecem efeitos tonificantes na musculatura e nos nervos óticos, e, por meio destes, no Sistema Nervoso Central. Mentalmente, estabilizam as ondas mentais e os movimentos da consciência, melhorando estados de ansiedade, dispersão mental e memória fraca. Energeticamente, atuam nos chakras superiores, especialmente no Ajna, o centro energético frontal, relacionado com a mente intuitiva, as habilidades do lado direito do cérebro, a capacidade de ver profundamente e com a clarividência.

Porém, freqüentemente, são aplicados em combinação com os asanas, pranayamas e bandhas, nas práticas do Hatha Yoga. Nas meditações, o trabalho com os drishti é mais intencional do que físico. É olhar mentalmente para o ponto escolhido, permitindo que os olhos se acomodem, sem forçar, pois o tempo de permanência é longo.

São feitos, algumas vezes, com os olhos abertos, estabelecendo a fixação do olhar em alguma coisa concreta, ou deixando o olhar vago e distante, para descansar. Ou então, trabalha-se com os olhos fechados, visualizando mentalmente o objeto da estabilização do olhar.

Outra técnica importante, pois prepara a mente para a meditação yogue, é a fixação da atenção em um objeto determinado – ekagrata. Eka quer dizer um ou uma. Ekagrya , em sânscrito, significa um só ponto.

Observamos que nessa modalidade, o trabalho sobre a mente é mais importante que o exercício com os olhos, que serve de coadjuvante.

EKAGRATA é o treinamento de direcionar a consciência juntamente com o olhar para um só ponto ou tema. Os yogues ensinam que para onde vai o nosso olhar, vai também nossa energia vital – prana. Nessa técnica, o olhar, a atenção mental e a energia vital, convergem para a mesma direção, conferindo um grande poder de concentração mental ao praticante.

O objeto ou tema da atenção também pode ser interno ou externo, abstrato ou concreto, como: a chama de uma vela, a ponta do nariz, a região de um chakra, ou ainda, um mantra.

Ekagrata objetiva controlar as faculdades dos sentidos por meio da interiorização, abstração ou recolhimento, diminuindo o fluxo dos pensamentos e unificando a consciência.

Os aforismos de Patanjali definem o Yoga como uma prática de redução dos movimentos da consciência, entendendo que somente na calma da mente, vivenciamos a integração com a nossa verdadeira essência, o samadhi. Assim, encontramos nas concentrações visuais e mentais, preciosas ferramentas para exercitar a quietude das nossas turbulentas e indisciplinadas mentes ocidentais.

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

 

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