AS PRÁTICAS DO YOGA SEGUNDO PATANJALI

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No segundo capítulo do Yoga Sutra, Patanjali fala da prática do Yoga, criou um sistema que contempla oito tópicos, ou passos (Astanga Yoga). Taimini e Mehta comentam esses oito passos (Taimini, 1989; Mehta, 1995):

1 – Yamas ou autodomínio, ou ainda, abstinências: abstenção de violência, de mentira ou falsidade, de roubo, de incontinência (Mehta fala de abstenção de indulgência) e de possessividade.

2 – Nyamas ou regras estritas ou observâncias: pureza, contentamento, austeridade (simplicidade para Mehta), auto-estudo e entrega a Deus (aspiração, segundo Mehta).

3 – Asanas ou posturas psicofísicas.

4 – Pranayamas ou práticas respiratórias e controle da energia, chamada Prana.

5 – Pratyahara ou introspecção, ou, abstração dos sentidos.

6 – Dharana ou concentração (chamada percebimento, por Mehta)

7 – Dyana ou contemplação (atenção, para Mehta)

8 – Samadhi ou estado de êxtase (absorção, para Mehta).

Com Yamas e Nyamas, o indivíduo é liberado das dúvidas e incertezas de como se conduzir diante das diversas situações conflitantes que a existência o coloca. Isso traria tranqüilidade para o psiquismo, e as emoções fortes deixariam de perturbar a mente. Pessoas com descontrole emocional não conseguiriam obter grandes avanços no controle da mente, mesmo praticando os outros passos. Certas práticas, como exemplo Pranayamas seriam até mesmo contra indicadas a essas pessoas.

“Aquele que trilha a senda do Yoga deve ter saúde do corpo e da mente. Com um corpo enfermo e uma mente doentia não é possível avançar nesta jornada. É para a saúde do corpo e da mente, que Patanjali fala das abstinências e das observâncias, yama e niyama” (Mehta, 1995).

Os Asanas teriam a função de tornar o corpo sadio e apropriado para a pratica meditativa (Mehta, 1995). Taimini diz que quando o corpo é colocado em uma determinada posição, por muito tempo, tem sido observado que deixa de ser uma fonte de perturbação para a mente.

Ainda segundo Taimini, a razão pela qual o Pranayama representa uma parte tão importante na técnica do Yoga, está na íntima relação existente entre Prana e a mente (Taimini, 1989).

Em Pratyahara, haveria o domínio sobre o grande número de estímulos recebidos pelos sentidos e que também causam perturbações na mente.

Com esses cinco passos completa-se Bahiranga, ou Yoga externo. Dharana, Dyana e Samadhi são os três passos das práticas meditativas, Antaranga, ou Yoga Interno, quando então a pessoa poderia se ocupar exclusivamente do processo mental, pois com os passos anteriores, todo estímulo externo estaria sob controle.

BIBLIOGRAFIA:

Taimni IK (1989). A Ciência da Ioga: Comentários sobre os Yoga Sutras de Patanjali à luz do pensamento moderno. Ed. Grupo Annie Besant, Rio de Janeiro, Brasil.

Metha R (1995). Yoga a arte da Integração: Comentário sobre os Yoga-Sutras de Patanjali. Ed. Teosófica, Brasília, Brasil.

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