AS RAZÕES PARA PRATICAMOS MEDITAÇÃO

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…Nós praticamos meditação para atingir a felicidade. Isto significa estados de felicidade a curto e a longo prazos.

Com relação à felicidade a curto prazo, quando falamos em felicidade, normalmente nos referimos a uma ou duas coisas, sendo que uma é o prazer físico e a outra, o prazer mental. Mas se vocês olharem para qualquer uma dessas agradáveis experiências, a raiz dela deve ser uma mente em paz, uma mente livre de sofrimento. Porque se suas mentes estiverem infelizes e sem tranqüilidade ou paz, então não importa quanto prazer físico vocês experimentem que ele não terá a forma da felicidade por si só. Por outro lado, mesmo que lhes faltem as circunstâncias físicas ideais de riqueza ou qualquer outra, se suas mentes estiverem em paz, vocês ficarão felizes de qualquer maneira. Nós praticamos meditação em parte para obter o benefício a curto prazo de um estado de felicidade mental e paz. Mas a razão pela qual a meditação ajuda é que, normalmente, nós temos uma grande quantidade de pensamentos, ou muitos tipos diferentes de pensamentos que cruzam nossas mentes. Alguns desses pensamentos são agradáveis, até mesmo prazerosos. Alguns deles porém, são desagradáveis, agitados e preocupantes. Se vocês examinarem de vez em quando os pensamentos presentes em suas mentes, verão que os pensamentos agradáveis são comparativamente poucos, e os pensamentos desagradáveis, muitos – o que significa que enquanto suas mentes forem governadas ou controladas pelos pensamentos que surgem, vocês serão bastante infelizes. Então, para ganhar o controle desse processo, nós começamos com a prática da meditação de tranqüilidade, que produz um estado básico de alegria e paz na mente do praticante.

Na realidade, os benefícios a curto prazo da meditação são mais que apenas a paz da mente, porque nossa saúde física também depende, em grande parte, do nosso estado mental. Assim, se cultivarem esse estado de satisfação e paz mental, vocês tenderão a não ficar doentes, e a se curarem facilmente quando e se ficarem doentes. A razão para isso é que uma das condições básicas que provocam estados de doença é a agitação mental, que produz uma agitação correspondente ou uma perturbação dos canais e energias do corpo. Esta gera novas doenças, que vocês ainda não tinham, e também impede a cura de doenças antigas. A agitação dos canais e ares ou energias também impede o benefício que poderia ser obtido com o tratamento médico. Se praticarem meditação, quando suas mentes se acalmarem, os canais e energias que circulam voltam ao seu funcionamento normal, vocês não terão tendência a ficar doentes ou se tornarão capazes de curar qualquer doença que tenham anteriormente.

Através da correta prática de meditação, a alegria e a paz mental alcançadas acalmam e corrigem o funcionando dos canais e energias, dando lugar à cura e à prevenção das doenças.

O benefício a longo prazo ou ( o benefício) final da prática de meditação é se tornar livre de todo sofrimento, o que significa já não ter que experimentar os sofrimentos do nascimento, do envelhecimento, da doença e da morte. Esta realização da liberdade é chamada, na linguagem comum a todas as tradições budistas, budeidade, ou estado de Buddha, e particularmente na terminologia do vajrayana, a realização suprema, ou siddhi supremo.

A raiz ou causa básica dessa realização é a prática de meditação. Isso acontece porque geralmente temos muitos pensamentos cruzando a mente, alguns benéficos – como os pensamentos de amor, compaixão, alegria pela felicidade de outros, e assim por diante – e muitos que são negativos – como os pensamentos de apego, aversão, ciúmes, competitividade, e assim por diante. Comparativamente há menos pensamentos do primeiro tipo e mais do segundo tipo, porque temos hábitos arraigados que vêm se acumulando em nós desde tempos sem começo. E só removendo esses hábitos de negatividade podemos nos libertar do sofrimento.

Não se pode acabar com essas aflições mentais, ou kleshas, simplesmente dizendo a si mesmo: ‘Eu não vou mais gerar aflição mental alguma’, porque não se tem a liberdade de mente necessária ou o controle sobre os kleshas. Para abandoná-los, vocês precisam na verdade alcançar essa libertação, que começa, segundo o caminho comum, com o cultivo da tranqüilidade. Agora, quando se começa a meditar, quando se começa a praticar a meditação básica da tranqüilidade, pode-se achar que a mente não vai ficar quieta nem um momento. Mas isso não é permanente. Isso vai mudar à medida que se pratica, e vocês eventualmente vão conseguir deixar a mente em repouso, e nesse ponto a evidente perturbação dessas aflições mentais ou kleshas será aliviada. Em cima disso, vocês podem aplicar a segunda técnica, que é chamada de insight, que consiste em aprender a reconhecer e experimentar diretamente a natureza de suas próprias mentes. Essa natureza é chamada de vacuidade. Quando se reconhece essa natureza e se descansa nesse estado, todas os kleshas, todas as aflições mentais que surgem se dissolvem nessa vacuidade, e já não há mais aflições. De maneira que a liberdade, ou o resultado, que é chamado de estado de Buddha, depende da erradicação dessas aflições mentais, e isso depende da prática de meditação.

…Podemos usar a raiva como um exemplo disso; se vocês ficam raivosos, e olham diretamente para a raiva – que não significa analisar os conteúdos dos pensamentos de raiva, mas olhar diretamente para aquele pensamento raivoso específico -, não encontrarão nada. E, naquele momento em que não acharem nada, a qualidade venenosa da raiva de alguma maneira desaparecerá ou se dissolverá. Suas mentes relaxarão, e vocês vão, pelo menos até certo ponto, ficar livres da raiva.

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