ASANA – NA SUA PRÁTICA VOCÊ FAZ POSE, POSTURA OU POSIÇÃO?

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1) De todas as técnicas de yoga, a que ficou mais conhecida o Ocidente, sem dúvida, são os asanas. Não só são as mais conhecidas, como também as mais mal compreendidas.

Na nossa língua, temos três palavras que se confundem quando pensamos na tradução literal do que significa uma asana. Sabemos que a palavra em português que mais se aproxima do conceito do asana é postura, mas não percebemos que, as vezes, estamos praticando pose ou posição em vez de postura. Assim, vamos nos deter um pouco mais no sentido de cada um desses termos e como são usados pela sociedade.

O QUE É POSIÇÃO?

Posição pressupõe uma ação que virá logo a seguir à sua execução. Ou seja, estamos numa posição quando estamos preparados para uma ação. Em educação física, você tem a posição de largada, a posição de ataque, a posição de defesa, a posição de recepção, etc. Se você estiver num asana , imaginando que vai sentir isto ou aquilo, não está numa postura, está numa posição. Se você estiver sentado para uma prática de meditação esperando que os anjos reconheçam sua santidade e esforço, estará perdendo tempo, porque essa expectativa é um “atrapalhador”, você não estará sequer no asana, que é a base para a aquietação da mente.

O QUE É POSE?

Pose todos nós sabemos muito bem o que é, aliás, somos muito bons nisso. Quando digo nós, me refiro aos professores de yoga.Não é só na frente dos alunos. Isso é tão louco que ás vezes me pego fazendo minha prática em casa e imaginando alunos vendo este “espetáculo” de execução que estou realizado. Pose pressupõe uma demonstração corporal de algo que gostaria que os outros interpretassem. (Uma performance)

Numa pose, estou dependendo de apreciação do outro para obter sucesso. Nos dicionários, a palavra pose passa pelos conceitos de “artificialidade, fingimento ou simulação”. Muitas vezes pensamos que estamos fazendo um asana e estamos apenas fazendo pose.

O QUE É POSTURA?

Postura é a atitude que tomamos para realizar uma ação com o menor esforço possível. Encontramos o termo atitude para definir postura até na literatura que não pertence ao universo do yoga.

A ação de postura (asana) está simplesmente na sua execução; não estamos esperando acontecer nada nem queremos impressionar ninguém. Assumimos um asana como quem treina uma atitude, um comportamento. Segundo Patañjali, treinamos estabilidade com o relaxamento do esforço.

Estabilidade, entre outras coisas, é imobilidade e imobilidade não é sinônimo de inatividade. A atividade que está por trás da imobilidade é o que chamamos Yoga. É a “ação” que nos deixa na “inação”.

2) Um dos grandes comentaristas dos Yoga Sutras de Patañjali (Taimni) compara o asana a um peão, aquele brinquedo de criança.

Assim como há uma dinâmica que mantém a estabilidade do peão, há uma coordenação de impulsos neuromusculares muito aprimorada para nos manter em imobilidade.

Com o tempo, o praticante diminui cada vez mais o esforço no asana, e é por isso que consegue aumentar o tempo de permanência. Em Hatha Yoga, o “adiantado” não é que faz mais asanas, mas é aquele que seleciona um bom grupo de posturas e fica um tempo significativo em cada uma.

Treinar um asana não significa mante-lo, mas sim, senti-lo.

Ficar em padmasana – a postura de lótus, completamente imóvel, sentado em frente á televisão, não é fazer Yoga- isso só se tornará uma prática de yoga quando estivermos conscientes. O que treinamos no asana é a consciência da imobilidade, portanto, não basta não se mexer, temos de sentir que não nos mexemos. Mais do que isso, é não ter sequer a intenção de se mexer,

A diferença entre pose, postura ou posição é apenas interna, só você sabe o que está praticando. Assim, fique atento durante a sua prática – um pequeno deslize e pronto, já modificamos nossa atitude e alteramos a prática.

Um professor me disse uma vez na Índia: ”Alguém pode fazer asanas por dez anos e nunca ter feito Yoga”.

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