ASPECTOS PRÁTICOS DO PRANAYAMA

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Assim como as atividades da mente influenciam a respiração, esta influencia o estado mental. Nossa intenção quando trabalhamos com a respiração é regulá-la, para acalmar e focar a mente para a meditação. Com freqüência as pessoas perguntam se pranayama é perigoso – eu garanto a você que podemos praticar pranayama de modo tão seguro quanto praticamos asanas ou qualquer outra coisa. Pranayama é respiração consciente. Se estivermos atentos às reações do corpo durante o pranayama, não há nada a temer.

Problemas podem surgir quando alteramos a respiração e não reconhecemos ou não damos atenção a uma reação corporal negativa. Se for trabalhoso para alguém respirar profunda e regularmente, isso imediatamente se manifestará; a pessoa sentirá a necessidade de uma respiração rápida entre as respirações longas e lentas. Um importante preceito da medicina ayurvédica é o de nunca suprimir os impulsos naturais do corpo. Mesmo durante uma prática de pranayama, devemos nos permitir uma respiração curta se sentirmos necessidade disso. O pranayama só deveria ser praticado por pessoas que realmente podem regular sua respiração. Aqueles que sofrem de falta de ar crônica, ou outras disfunções respiratórias, não devem tentar pranayama até que estejam prontos para isso. Asanas que aumentem o volume dos pulmões e liberem os músculos da caixa torácica, das costas e o diafragma podem ajudar na preparação ao pranayama. Por exemplo, uma curvatura para trás, seguida de uma flexão à frente como contrapostura, é útil como preparação. Uma prática de asana apropriada estimulará o desenvolvimento do pranayama. O pranayama pode e deve ser praticado desde os primeiros momentos da descoberta do yoga, e é absolutamente necessário que essa prática seja adotada sob a orientação de um bom professor.

A finalidade da prática de pranayama é enfatizar a inspiração, a expiração ou a retenção da respiração. A ênfase na inspiração é chamada puraka pranayama. Recaka pranayama refere-se à forma de pranayama em que a expiração é prolongada, enquanto a inspiração permanece livre. Em Kumbhaka pranayama, retemos a respiração após a inspiração, após a expiração ou depois de ambas.

Em qualquer técnica que escolhermos, a expiração é o mais importante. Se a qualidade da expiração não for boa, a qualidade de toda a prática de pranayama será afetada negativamente. Quando alguém não é capaz de exalar lenta e calmamente, isso significa que essa pessoa não está pronta para pranayama, seja mentalmente ou em outro sentido. Alguns textos realmente dão este aviso: se a inspiração for brusca, não precisamos nos preocupar, mas se a expiração for irregular, isso é sinal de doença presente ou iminente.

Por que essa ênfase na expiração? A meta essencial do yoga é eliminar impurezas e reduzir avidyã (compreensão incorreta da realidade). Por meio dessa eliminação, resultados positivos aparecem. Quando o bloqueio é eliminado de um cano tubular de esgoto, a água simplesmente tem de fluir.

Se algo dentro de nós está impedindo que uma mudança ocorra, precisamos apenas remover o obstáculo e, assim, a mudança poderá acontecer. A expiração é de vital importância porque transporta as impurezas para fora do corpo, criando mais espaço para o prana entrar.

Muitas vezes, quando se discute pranayama, é a retenção da respiração que é enfatizada. No entanto, os textos antigos discorrem sobre a respiração total, não simplesmente sobre kumbhaka, a retenção da respiração. O Yoga Sutra discute a respiração nesta ordem de importância: bahya vrtti ou expiração, a mais importante; depois, abhyantara vritti ou inspiração, como secundária; e, finalmente, stambha vrtti ou retenção da respiração. Todos esses três são aspectos do pranayama. Não fique interessado apenas em reter a respiração; muitas pessoas pensam que podem progredir mais rapidamente no caminho do yoga se praticarem técnicas de retenção, mas, na verdade, com freqüência surgem os problemas por causa dessa ênfase.

O mais importante preceito do pranayama é este: só quando tivermos nos esvaziado poderemos fazer uma nova inspiração; e só quando conseguirmos inspirar plenamente, poderemos reter a respiração. Se não conseguimos expirar e inspirar completamente, como vamos reter nossa respiração? Os exercícios de retenção devem ser praticados de maneira que nunca perturbem a inspiração e a expiração. Quando alcançamos o estágio em que melhoramos nossa habilidade de inspirar, exalar e reter a respiração, a retenção, então, pode tornar-se importante, porque enquanto retida, a respiração está em repouso, e, com isso, espera-se que a mente também.

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