DHARANA E DHYANA – A CONCENTRAÇÃO E A MEDITAÇÃO NO YOGA

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“Há algo nos métodos da Yoga que nos ajuda a ser uma pessoa integral e integrada, mas é preciso que você experimente por si mesmo”.  M. L. Gharote

 

A concentração ou dharana é o pilar fundamental da meditação. Deve ser exercitada para que haja progresso na meditação e em toda a prática do Yoga.

Concentrar é direcionar a mente num só objeto ou tema, tanto concreto e externo, como a chama de uma vela, como abstrato e interno, como a própria respiração, os batimentos cardíacos ou pensamentos e sentimentos com que se está convivendo no momento.

Outra forma de concentração é manter a atenção focada firmemente sobre uma só parte do corpo, excluindo da área de atenção, todas as outras partes, até que se comece a sentir esta parte verdadeiramente. Por exemplo, concentrar a atenção na mão esquerda, nos dedos da mão, na ponta do dedo indicador, até que se possa perceber somente a unha do indicador da mão esquerda, mantendo a consciência da percepção desta pequena parte do corpo e retornando a ela cada vez que a mente se distrair. Este exercício pode ser feito por alguns minutos como treinamento da concentração mental.

A prática da concentração não é fácil para as mentes inquietas, caprichosas e exteriorizadas dos ocidentais. Ela é, com freqüência, a etapa mais difícil a ser conquistada no caminho do Yoga. Muitos principiantes queixam-se da indisciplina e da falta de domínio sobre suas mentes. Neste caso, é aconselhável começar a praticar dharana com o próprio coração, acompanhando os batimentos cardíacos, colocando levemente as mãos sobre o peito para facilitar a concentração, permanecendo por alguns minutos.

Ou ainda, uma das técnicas básicas de concentração que pode levar o praticante ao estado de meditação, é a observação atenta, mas não tensa, da própria respiração, sem alterá-la. Apenas seguir com a mente calma e presente cada impulso para inspirar e depois acompanhar a saída natural do ar desde os pulmões até as narinas. Esta é uma excelente prática oferecida tanto para iniciantes como para os praticantes mais treinados – estes últimos, certamente, ficarão mais tempo e sem tanta distração.

É importante esclarecer que com a mente não se briga, não se faz confronto direto, não se dá ordens (ela é muito poderosa), pois essas atitudes só irão reforçar a resistência da mente em ser treinada. A atitude recomendada está relacionada com a paciência, a persistência, o desapego em atingir resultados rápidos e uma compreensão amorosa. Assim, todas as vezes que se perde a atenção na proposta da concentração ou meditação, ou seja, quando um pensamento cruza a mente, direcionando-a para um outro foco, o praticante quantas vezes for necessário, vai reconduzir, tranqüilamente, a atenção mental para a proposta original.

A concentração é, portanto, um treino de atenção voluntária e consciente, e também, o desenvolvimento das potencialidades da mente. A mente dispersiva e ordinária é fragmentada, frágil, sem força. Os yogues metaforicamente a associam com um bando de macaquinho, pulando de galho em galho numa floresta, um provocando e distraindo o outro, num movimento sem fim. A mente que se exercita na concentração, ganha força, poder, estabilidade, profundidade, lucidez e calma. É a mente preparada para alcançar o estado de meditação, a experiência da unidade, da calma constante e profunda. O estado da mente em meditação é recuperador, criativo e transformador, pois atinge níveis profundos de consciência, onde estão gravados nossos mais antigos padrões inconscientes de funcionamento e condicionamentos repetitivos. Quando se consegue atravessar o nível dos movimentos da mente, os vrittis, chega-se na essência do ser, na realidade pura da natureza humana.

Tal como um lago tranqüilo reflete as nuvens do céu, a mente calma do meditante, reflete a essência pura e divina do ser humano.

O grande mestre yogue, Sai Baba, que vive na Índia, elucida assim a concentração e a meditação: na primeira etapa, “Estou caminhando na luz”; na segunda, “A luz está em mim”; na terceira, “Eu sou a luz”. Quando a mente ultrapassa, por meio da concentração, o senso de dualidade eu-luz, e chega ao estado de integração com a luz, isto é meditação.

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