EFEITOS DAS POSTURAS DO YOGA EM NOSSO ORGANISMO

Artigos

Temos tratado em outros artigos, com alguma insistência, do fato do Yoga nos instrumentalizar para obter a calma da mente por meio dos asanas (posturas psicofísicas), pranayamas (respirações que controlam a energia vital), relaxamento e meditação. Aprofundando esse tema, abordaremos os efeitos dos asanas sobre nosso organismo, pois conhecer esses benefícios pode ser útil para aqueles que praticam o Yoga.
Swami Kuvalayananda (1883-1966) era um educador indiano que criou um método que chamou de Yoga Científico, cujo foco estava na pesquisa dos efeitos do Yoga sobre a fisiologia e algumas doenças humanas. Ao trabalhar com o Yoga no Hospital de Baroda, convenceu-se que este saber aplicado no moldes experimentais da ciência moderna ajudaria as pessoas a obterem boa saúde. Tomou então, para si, o desafio de tratar as pessoas com o Yoga. Em 1924, fundou o Kaivalyzdhama Yoga Institute, em Lonavla, na Índia, um centro de estudos científicos do Yoga. Buscou o reconhecimento dessa milenar tradição, submetendo suas técnicas ao crivo do que a ciência considera como verdade: investigação, observação, objetivo, método, comparando resultados e validando ou refutando as hipóteses.
Dentre os seus discípulos e colaboradores, ficou nosso conhecido o Dr. Gharote que esteve inúmeras vezes no Brasil divulgando esta corrente científica do Yoga em seminários e congressos. Ele sempre abordou o Yoga segundo a tradição dos antigos tratados, como o Gheranda Samhita e o Hatha Yoga Pradipika e nos dizia que o Yoga funciona muito bem com técnicas simples, desde que o praticante esteja nelas por inteiro. Também fazia questão de esclarecer que o que funciona terapeuticamente no Yoga é o conjunto de suas práticas. Não haveria uma técnica específica e exclusiva para uma dor lombar ou uma depressão, mas o todo do Yoga como uma filosofia prática, deveria constituir o tratamento.
Com o Swami Kuvalayananda aprendemos que a prática dos asanas ativos, que são as posturas de flexão, extensão, equilíbrio, lateralização, inversão, torção e fortalecimento, produzem dois resultados amplos. O primeiro é que essas posturas conferem ao organismo um altíssimo vigor que beneficia todo o corpo. O segundo é de ordem energética, pois elas preparam o sistema dos canais (nadis) e os centros (chakras) de energia por meio do sistema nervoso, para receberem um fluxo maior da energia espiritual (kundalini).
Conforme relata em seu livro Asanas, da Phorte Editora, este Swami entende que fisiologicamente, há três condições para que os tecidos que constituem os órgãos e asseguram o vigor do organismo, se mantenham saudáveis.
Uma delas é o constante suprimento de uma boa nutrição pelos elementos que formam os tecidos e que são levados a estes pelo sangue, como as secreções internas das glândulas endócrinas, ou seja, os hormônios e as proteínas, gorduras, açucares, sais e oxigênio. Mostra a importância de se manter um aparelho digestivo e respiratório fortalecidos e massageados pela ação dos asanas, como a que ocorre na interação entre as posturas de flexão, lateralização, seguidas da extensão e torção, ou como ocorre no Uddyana Bhanda e outros pranayamas que se utilizam de uma forte contração abdominal. Estas práticas também vão fortalecer o coração e ativar toda a circulação sanguínea. O oxigênio será levado para todas as células e os pulmões e músculos respiratórios ficarão fortalecidos e sadios. Isso tudo vai garantir um funcionamento saudável do aparelho digestivo, respiratório, circulatório e ainda do sistema endócrino, pois as principais glândulas são frequentemente massageadas pelos asanas e bhandas (contrações).
A segunda condição trata da limpeza do organismo, ou seja, da eficiente eliminação dos resíduos da digestão. Esses resíduos são: o gás carbônico, ácido úrico, uréia, bílis, urina e fezes. Os três sistemas mais importantes para que essa eliminação ocorra de forma eficaz são o respiratório, o urinário e o digestivo. Neste quesito também os asanas ativos que massageiam bem a região abdominal e renal e os pranayamas por ativarem uma expiração mais completa e que elimina o ar residual, vão auxiliar o organismo a promover uma liberação desses resíduos de forma mais saudável.
O bom funcionamento das conexões nervosas é a terceira condição da saúde orgânica. Os nervos que partem da medula espinhal e do encéfalo enervam todo o corpo, ligando-se aos tecidos para que estes realizem seu trabalho. Se há uma degeneração nessa conexão, a área do corpo afetada não vai funcionar. É como o que acontece numa paralisia facial, por exemplo. Acerca dos asanas, são as posições inversas que mais mandam suprimento sanguíneo para o cérebro, melhorando a ação do encéfalo e a saúde dos nervos. Os outros asanas ativos, todos eles, trabalham a coluna vertebral, portanto massageiam a espinha e os pares de nervos que dela partem e se espalham pelo corpo todo.
Além dos aspectos físicos, a saúde do organismo, na visão oriental, está relacionada com a noção de energia vital (prana ou ki). Se a energia fica bloqueada, embutida, recolhida ou se ela vaza, a saúde do indivíduo terá complicações diversas. Um fluxo livre de energia, a “construção” de um bom continente para a energia fluir, a expansão desta dos centros para as extremidades é reflexo de boa saúde psicofísica. No Yoga isso é conseguido com todos os seus elementos: asanas, bhandas, mudras (gestos corporais), pranayamas, relaxamento, concentração e meditação.
Os asanas têm um papel fundamental no preparo do corpo para receber uma “voltagem” maior de energia evolutiva, chamada kundalini. Ela irá despertar e ampliar novos estados de consciência no praticante devidamente preparado.
Assim, podemos concluir que o Yoga produz um benefício geral para a saúde, além de contribuir para a evolução espiritual do ser humano. A saúde na visão yogue integra todos os níveis, do denso ao sutil.

[wpdm_file id=79]