MÃE IDEAL, MÃE REAL E MÃE CONSTRUÍDA

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Para celebrar o Dia das Mães de Maio de 2009.

Sempre gostei de observar os pré-adolescentes e adolescentes conversando.O tema das conversas entre eles e seus amigos me chama atenção. É claro que falavam dos meninos e meninas que estavam paquerando ou ficando, da roupa que iriam à balada, mas entre as frases, está sempre presente “minha mãe disse”, dali a pouco “minha mãe acha, minha mãe fez”.

Como é possível, me perguntava, esses quase-adultos se referirem tantas vezes à figura materna? Àquilo que a mãe pensa, opina, faz, fala ou não fala? Que representação e que sentido existe na figura materna para ela ocupar tanto espaço afetivo e por tanto tempo no interior de uma pessoa?

Fui tecendo minha reflexão. A mãe (biológica ou não) é a origem, é a base, é o ventre, é o ponto de partida e o de chegada. É quem, geralmente, está mais próxima, acompanhando o desenvolvimento da criança. É como um porto para as muitas investidas do filho no exercício do viver, o movimento de se aventurar e retornar, ora gratificado e ora frustrado. É ela quem acompanha as suas inúmeras vivências e experiências objetivas e subjetivas.

Pensando dessa maneira, dá para entender o conteúdo e o continente que vai se criando no interior de uma pessoa, a partir de um vínculo que, por vezes, é tão íntimo, tão estável e importante como esse. Muitas vezes, o maior de todos.

Quando ficamos adultos, a imagem que tenho é de que dentro de cada um de nós, foi se formando uma família inteira, com os personagens vivos construídos pelas nossas relações interpessoais, da mãe, do pai, de avós, tios, professores, adolescentes, crianças, bebês, babás, etc. Esses seres são os resultados dos nossos vínculos e experiências afetivas, com diferentes características, valores e intensidade. Essa família dentro de cada um pode funcionar a nosso favor e nos apoiar na nossa vida, ou nem tanto.

Os integrantes da nossa família interna podem ser diferentes da nossa família objetiva. Ao celebrarmos o dia das mães, sugiro que façamos um tipo de investigação nessa mãe que temos internalizada. Como ela é? O que ela nos diz? Que tipo de apoio recebemos dela? Temos intimidade? Ela é presente? É acolhedora ou exigente demais? Como ela conversa com nossos aspectos infantis? E com o eterno adolescente em nós? Essa conversa nos transforma? Quão adulta, responsável e apropriada de seu papel é essa mãe que conversa dentro de nós? Essa é a mãe simbólica que queremos que more em nosso lar interno?

Porque o grande ganho de sermos adultos, eu acredito, é podermos escolher esse ambiente doméstico interno em que vamos morar. Não estou pensando em nenhum castelo encantado do reino das fadas, com a mãe-rainha perfeita, porque cresci e descobri que isso é uma fantasia que evapora ao abrir dos olhos. Mas estou me referindo ao potencial humano real de colocar as mãos na massa de modelar da vida e construir um ambiente materno benéfico, apoiador, acolhedor e com senso de realidade, a partir do próprio interior. E esse ambiente pode ser sempre transformado e melhorado, não é mesmo?

É nesse contexto que quero lhe desejar um FELIZ DIA DA SUA MÃE INTERNA! Que sua relação com ela seja mais gratificante a cada dia!

Um grande abraço,

Lucia

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