MAYA – A GRANDE ILUSÃO

Artigos

 

Recentemente me dei conta de que ainda era bem jovem quando tive uma inspiração filosófica. Naquela visão, imaginei que nossa existência, ou seja, o mundo manifesto, bem que poderia ser um sonho que estava sendo tido por alguém. Fiquei aterrorizado com a idéia da possibilidade de este alguém despertar. O curioso é que hoje, depois de entrar em contato com as filosofias da Índia, percebo a coincidência existente entre aquela inspiração juvenil e o cerne destas filosofias.

Quando estamos sonhando, o mundo criado por nosso sonho se nos apresenta como sendo bem real, ou seja, não há a menor possibilidade de que enquanto estamos sonhando tenhamos consciência de que aquilo seja um sonho. Dentro do sonho os personagens sentem-se reais, sentem-se existindo. Somente com o despertar é que tomamos consciência de que o conteúdo do sonho era uma ilusão, uma fantasia.

As filosofias da Índia nos dizem que o mundo manifesto é uma criação de Brhamam. Este é o único que realmente existe, é a consciência pura, sem passado nem futuro, sempre presente. Sua existência é a eternidade, seu tamanho é o infinito. A expressão de Brhamam na manifestação humana é Atmam. Brhamam/Atmam é a consciência pura, o observador, o experimentador, o que sente. Por uma causa misteriosa Brhamam/Atmam se identifica com o veículo manifesto que criou, assim como quando estamos sonhando nos identificamos com os personagens que criamos e não temos consciência de nós mesmos. Assim como em nossos sonhos os personagens retiram sua consciência da nossa, nós retiramos a nossa da de Brhamam/Atmam. Assim como os personagens de nossos sonhos em última instância somos nós, nós em última instância somos Brhamam/Atmam. Assim como nós, ao sermos os personagens de nossos sonhos, não temos consciência de nós mesmos, Brhamam/Atmam em nós também não tem consciência de si. Está adormecido. Quando despertar terá consciência de Maya, o sonho, a grande ilusão.

Ao ter tido a idéia, em minha imaginação, de que o despertar daquele que me sonhava significaria o fim da minha existência, senti medo. Esse medo da morte é Abnevesa, o quinto klesa ou fonte de sofrimento. Se estas teorias estiverem certas, fica evidente que esse medo da morte é fruto da ignorância (Avidya – primeiro klesa), já que surge do desconhecimento de que somos o eterno, portanto imortal, Brhamam/Atmam. Sri Ramana Maharshi disse: “Você precisa livrar-se da idéia de que é ajnani (ignorante) e ainda precisa compreender o Eu. Você é o Eu. Terá havido algum tempo em que você não se dava conta do Eu?” (Maharshi, 1972).

Referência Bibliográfica:

Ramana Maharshi. Spiritual Teachings of Ramana Maharshi. Califórnia: Shambhala, Berkeley, 1972.

[wpdm_file id=46]