NINGUÉM VAI AO PARAÍSO SOZINHO: A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO

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Muitas pessoas pensam, equivocadamente, que o Yoga propõe uma vida solitária como caminho para a libertação. Buscam o isolamento social, que acaba sendo uma fuga, mesmo quando desejam o estreitamento do vínculo com o divino. O que encontram são estados mentais doentios e empobrecimento psíquico.

Esse raciocínio encontra eco na observação de que os yogues vivem em cavernas nos Himalaia. O que essa leitura superficial não consegue desvelar é o fato de que o homem que está na reclusão do ermo está trabalhando arduamente para realizar o maior de todos os vínculos afetivos, os laços com Deus no caminho da devoção e com a consciência suprema no processo de autoconhecimento.

Esse ser aparentemente solitário passou grande parte de sua vida estabelecendo o forte vínculo com o seu mestre ou guru, necessário para se alcançar as alturas do mundo espiritual. Ainda que fortemente ligado ao mestre, ele jamais deixou de vivenciar os vínculos afetivos com seus familiares e amigos. No livro “Autobiografia de um Yogue”, Yogananda (2001a) descreve com beleza o imenso amor que sentia por sua mãe, e era tocante sua ligação com seu pai e irmãos. Também nutria esses afetos profundos por amigos, sendo que um deles, quando ainda eram muito jovens, acompanhou-o em uma tentativa frustrada de chegar ao Himalaia.

“Segundo o hinduismo o amor abre a porta de nossa relação com o divino. Traz a dimensão do Todo, do “nós” (comunidade, família, eu-tu). Sofrer é estar ou sentir-se excluído, separado. O hinduísmo fala da ilusão da separatividade como um grande equívoco da nossa forma de ver a realidade. O universo é visto como uma rede em que somos todos ligados” (Nabão, 2007).

            Yogananda (2001b), em seus ensinamentos, pregava a necessidade de se cultivar os laços afetivos com todos que participam do círculo de nossos conhecidos. Dizia que a vida em família e com os amigos era um treinamento para desenvolvermos a maior de todas as aspirações humanas, que é o relacionamento com Deus.

Iyengar (2001) refere que na fase do ciclo vital que vai dos 20 ou 25 anos até os 40 ou 50 anos o hindu tem como meta, depois de ter vivenciado sua família de origem, constituir sua própria família. Esse período também vai contribuir para seu desenvolvimento espiritual, na medida em que ele vivenciará muitas e desafiadoras experiências. “Essa fase propicia a experiência do amor e da felicidade humana, e prepara o espírito, por meio do sentimento de fraternidade que se desenvolve a partir da amizade e da compaixão, para o contato com o amor divino”.

Referência Bibliográfica:

NABÃO, LMO. 2007. Hinduismo. www.ganeshanet.com.br/artigos

YOGANANDA, P. 2001a. Autobiografia de um yogue. Rio de Janeiro: Lótus do saber.

YOGANANDA, P 2001b. Onde Existe Luz. Rio de Janeiro: Lótus do Saber

IYENGAR, B.K.S. 2001. A Árvore do Yoga. São Paulo: Globo.

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