O ASANA NO HATHA YOGA SEGUNDO ANTONIO BLAY – NORMAS DE EXECUÇÃO

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A execução dos asanas, as posturas psicofísicas, dentro do Hatha Yoga segue uma série de normas gerais para alcançar os objetivos da prática, o que também os distinguem de qualquer outra atividade. Assim, Antônio Blay, em seu livro Fundamento e Técnica do Hatha Yoga, ressalta que, para que a posição adotada realmente seja asana, deve apresentar uma série de características, sendo que as principais são:

1O – Permanência progressivamente prolongada.

2O – Extrema lentidão de execução.

3O – Normalmente devem realizar-se de forma suave evitando o esforço.

4O – Absoluta necessidade de que a prática de cada asana esteja acompanhada simultaneamente dos seguintes fatores: respiração, relaxamento e atitude mental adequada.

Baseado nos comentários de Antônio Blay e em nossa experiência pessoal, vamos a seguir explicar o porquê de cada regra.

A Permanência – A permanência é uma das principais características do asana, pois, considerando que essas técnicas atuam na esfera física, energética e psíquica, é essencial que haja tempo hábil para que todas essas mudanças se desenvolvam adequadamente na prática, e de forma consciente. De acordo com esse fato, o autor afirma: “a maior parte dos asanas são executados uma única vez, mas aumentando-se sua duração, à medida que se vão progredindo na prática, diversamente dos exercícios da ginástica ocidental, que são feitos sempre repetidas vezes.”.

Uma frase de grande sensibilidade que consideramos como um dos pontos altos do livro menciona que “no Yoga, cada asana é um modo de estar para chegar a um modo de ser”. Penso que, para compreender essa afirmação com profundidade, só mesmo vivenciando a técnica. Para quem pratica faz todo o sentido, mas, para quem ainda não pratica, vou tentar explicar com a limitação das palavras: baseando-nos no Yoga Sutra de Patanjali, asana é uma posição firme e confortável, porém, a firmeza e o conforto não vêm de graça. O praticante é quem conquista esses elementos através do domínio do seu corpo, da energia vital. A firmeza decorre principalmente da concentração no corpo, e o conforto decorre principalmente do relaxamento na posição. Portanto, ao manter a concentração profunda no corpo, fazemos com que a consciência tome a forma do asana, em outras palavras, fazemos com que ela se estabilize no corpo, que é o seu objeto de concentração no asana. Conseqüentemente, tornamo-nos firmes, estáveis. Essas características desenvolvidas serão essenciais na meditação e se tornarão um comportamento permanente na vida. Ao mesmo tempo, ao exercer o relaxamento na posição, estamos progressivamente desfazendo as amarras psicofísicas, que constituem obstáculos para muitas ações na vida, inclusive para a meditação, permitindo, entre outras coisas, que a energia vital e os processos orgânicos fluam mais livremente e de forma harmônica.

Dessa forma, naturalmente incorporamos essa atitude de descontração e fluidez no dia a dia.

A extrema Lentidão de Execução – Segundo Antônio Blay “a extrema lentidão de execução é outra característica muito própria do Yoga”. E realmente, essa lentidão permite que o praticante se coloque no asana de forma precisa, tomando consciência de cada momento e de cada detalhe importante (alinhamento, relaxamento ou contração dos músculos corretos, a variação mais adequada para o seu estágio de desenvolvimento, etc.) para que obtenha o melhor proveito possível da posição final. Porém, de forma muito perspicaz, o autor nos lembra que “no princípio, o processo é quase inverso”, ou seja, o iniciante tenta “ir para a posição” de forma quase instantânea e automática, e uma vez na posição começa a tomar consciência do seu corpo e a despertar o estado mental próprio do asana. Além desse fato, queremos ressaltar que a execução lenta também favorece que se mantenha o estado de interiorização obtido no asana anterior, sem permitir que a energia acumulada se disperse entre uma posição e outra e ainda levando a um encadeamento entre as técnicas.

Execução Suave e sem Esforço – Para realizar os asanas, não se utiliza o forçamento, mais sim a descontração e a consciência corporal. Essa regra também garante que cada praticante seguirá o seu próprio ritmo, mantendo a posição somente enquanto perceber que a permanência é construtiva. Com essa atitude, o praticante começa a aguçar a sua sensibilidade interna e o respeito pelo seu corpo, aprendendo a ouvi-lo cada vez melhor. Além disso, há também uma razão energética para a suavidade, nas palavras de Antônio Blay: “O objetivo é o de criar e armazenar novas energias, evitando qualquer gasto energético inútil”. E isto por duas razões: porque esta criação e poupança aumentam o poder e a resistência do organismo, e porque a acumulação de energia produz o despertar de diversos chakras, estimula uma circulação prânica melhor e favorece a tomada de consciência de novos estratos de nossa personalidade

 

Respiração – Em relação à respiração, percebemos que ela se torna mais profunda e regular como uma necessidade natural à medida que nos concentramos na posição, para que se exerça esse domínio da consciência sobre o corpo que deve ocorrer no asana. Para fundamentar ainda mais essa importância que é dada à respiração, vamos seguir um raciocínio lógico: a meta do Yoga é a expansão da consciência. A consciência é uma das formas de manifestações da energia vital. Para o ser humano, um meio importantíssimo para a captação de energia vital é justamente a respiração. Portanto, se ampliamos a respiração, atuamos diretamente na expansão da consciência. Além disso, temos que todos os processos corporais dependem dos fluxos de energia vital dentro do organismo (pranas e subpranas).

E, como afirmamos acima um dos principais meios para a captação da energia vital é a respiração. Portanto, se a respiração é irregular, arrítmica, os processos orgânicos tendem a seguir o mesmo padrão. Ao contrário, se tornamos a respiração regular, impomos ritmo e ordem ao processo de captação e expansão de energia vital dentro do organismo, conseqüentemente, impomos ritmo e ordem aos processos corporais, produzindo maior harmonia, saúde, consciência e domínio da energia.

Relaxamento – Já explicamos sobre a importância do relaxamento nos comentários sobre a permanência, mas devido á importância dessa regra, vamos comentar um pouco mais. Ao longo da nossa vida, várias emoções e outros conteúdos psíquicos são somatizados em nosso corpo de diversos modos, como por exemplo, na forma de tensões. Muitas vezes, essas tensões são mantidas de forma inconsciente e permanente, até mesmo quando dormimos. Para que essas tensões se mantenham ocorre um gasto de energia, e se a tensão é desnecessária, esse gasto energético também é desnecessário. Ao praticar os asanas, temos a oportunidade de tornar essas tensões conscientes para então desfazê-las através do relaxamento. Com isso, liberamos a energia que seria necessária para mantê-las, e essa energia se soma ao nosso patrimônio energético pessoal, traduzindo-se em mais vitalidade, realizando também uma verdadeira limpeza no psiquismo, dissolvendo aqueles conteúdos que mantinham tais obstruções.

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