O QUE É IMPORTANTE SABER SOBRE O YOGA

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O Yoga tem vivido no mundo todo, um período de glória e reconhecimento. As revistas, os jornais e os noticiários têm falado insistentemente sobre esse antiqüíssimo sistema indiano. Um número crescente de pessoas o pratica. A expansão do Yoga neste momento, talvez se dê pelo fato de que nosso planeta e seus habitantes, isto é, todos nós, estejamos precisando da mensagem que esta pragmática filosofia nos oferece: a integração do ser, o cultivo da mente clara e calma, e o conseqüente despertar para a verdadeira natureza humana – nossa essência sagrada.

Mas, o que não podemos perder de vista , quando se trata de uma verdadeira tradição, importada de uma cultura do outro lado do mundo?

Penso em três fatores principais.

O primeiro, é que o objetivo do Yoga é promover união, integração, estabelecer ligação. De quê? Do corpo físico com a mente, do eu individual com o eu transpessoal, do ser humano com o universo, do profano e do sagrado em cada um de nós.

E como isso é feito? O Yoga possui técnicas, método, e ainda, tem uma ética muito bem definida, que norteia a prática. Trabalha com o corpo para influenciar e direcionar o energético. O sistema energético faz a ponte entre o físico e o psíquico. Conseguimos assim, modificar, expandir e elevar estados ordinários de consciência.

Para quê? Para alcançar a iluminação, um estado mental de clarificação, amor e sabedoria, digno do ser humano evoluído e integrado.

O Yoga é um dos seis sistemas filosóficos ortodoxos da Índia, faz uma dobradinha com o Samkhya, que enfatiza o discernimento, uma função da mente superior para chegar ao autoconhecimento, e é considerado a contraparte teórica do Yoga. Este último é essencialmente prático busca o conhecimento no âmago da experiência vivida.

Mas o que caracteriza o Yoga? O que o distingue dos outros sistemas filosóficos?

Este é o segundo fator importante: o conceito de Ishvara, traduzido simploriamente como um deus pessoal. Ishvara pode ser o Deus Criador e Senhor do Universo para os devocionais e religiosos. Também pode ser, para os ateus e céticos, uma força inteligente que ordena e organiza o Universo. Ou ainda, qualquer idéia de “algo maior” presente na natureza, no sentido de que esse “algo” possui um poder que é superior ao poder que o homem possa ter. É pela atuação dessa força que, por exemplo, uma estrela não tropeça na outra, ou que após um período de inverno seco e rigoroso os brotos surgem nas árvores e se transformam em flores, na primavera. Ou ainda, que temos dentro de nós um impulso básico de evolução.

Esse conceito é extremamente importante numa prática que nos conduz ao estado de iluminação, de realização plena de nossas potencialidades, pois nos coloca no nosso lugar, conferindo-nos um tamanho e poder reais, humanos.

O Yoga indica um caminho de transcendência, acreditando no crescimento espiritual do adepto, mas coloca o limite: “Você não é Deus, o Todo-Poderoso. Este é Ishvara.”

Esta orientação protege o praticante de cair em duas armadilhas mentais perversas, o senso de impotência: “Eu não sou nada, não tenho poder algum, nem para trilhar meu caminho de autotransformação”. Ou, o senso da onipotência: “Eu posso tudo, transformo o que eu quiser em mim e nos outros, com pleno domínio sobre tudo”.

O yogue, ao se perceber apropriado de algum poder e controle, não se inibe em buscar, com esforço e dedicação, sua autorealização. Porém, ele sabe que está submetido a uma ordem e uma força superior. Essa atitude ativa embora humilde favorece que ele pratique a entrega de todas as suas conquistas ao seu guru ou a Ishvara, contribuindo assim, para que todo o Universo evolua, na medida que ele evolui espiritualmente. A entrega dos frutos da sua ação resguarda o praticante do excessivo apego e vaidade, raiz de todo o sofrimento humano.

A terceira colocação vem do fato de que o Yoga é uma filosofia prática, derivada de uma tradição milenar em que o discípulo aprendia de um mestre que já tinha experienciado e vivenciado, comprovando nele mesmo, os resultados daquilo que se propunha a ensinar. Portanto, o Yoga não nasceu como ciência, nem deve ter tal pretensão, embora estudos acadêmicos e científicos tenham sido feitos nos Estados Unidos e na Índia, comprovando seus benefícios.

Mas a ciência observa, assiste, investiga no outro. O cientista não experimenta em si. Yoga é vivência, é pratica, é disciplina e habilidade de ação, é trabalho experimentado pelo próprio sujeito da experiência.

Assim, para o praticante sincero e dedicado, a teoria é obvia, e para aquele que não pratica, ela é desnecessária.

Então eu lhe pergunto: Sabe quando você pode dizer que está praticando o verdadeiro Yoga?

Na medida em que você percebe em si mesmo que sua mente, no mergulho da sua experiência com uma postura ou uma meditação, está mais lúcida e calma, que seu corpo está vivificado e que você pode ter momentos prazerosos de profunda intimidade com ele, que a simplicidade e a pausa de um gesto corporal alegra seu coração, ou ainda, que no intervalo entre seus pensamentos, você toca um fértil campo de possibilidades e criatividade. Tudo isso também é chamado de espiritualidade, a vivência do sagrado dentro de cada um de nós.

Namaste!

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