OS CHAKRAS – A PSICOLOGIA DO YOGA

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Há uma importante pergunta que cada um de nós deveria se fazer vez por outra: “Com que qualidade de vida eu quero estar neste mundo?”, ou, “Aquilo que recebo da vida, da forma como estou me colocando nela, é satisfatório para mim?”

Atravessando os séculos, temos a filosofia do Yoga, reunindo em seu extenso corpo, ensinamentos de ordem ético-filosófica, psicológica, física, energética e espiritual, com o objetivo de auxiliar o ser humano a encontrar uma melhoria na sua qualidade de vida e satisfação pessoal.

O Yoga tem origem na Índia, há mais de 4000 anos. A raiz da palavra é yug, que em sânscrito, quer dizer unir, juntar, integrar.

De maneira generalizada, observamos que a principal fonte de dor, desconforto e desarmonia do ser humano, provém de sua dissociação e distanciamento de seu próprio corpo, de seu campo energético, ou de aspectos emocionais e espirituais que o compõe, impostos pelo seu estilo de vida, crenças e hábitos.

O Yoga propõe um trabalho de integração, visa unificar o ser humano, seu corpo e sua mente, seu ego humano com sua essência espiritual. Há vários caminhos (ou escolas de Yoga) para que essa integração seja realizada, dependendo das características pessoais do praticante.

Um desses caminhos, que vem sendo praticado no Ocidente, há pelo menos 100 anos, é o Hatha Yoga, que pretende obter uma boa interação entre a energia solar, HA, e a energia lunar, THA. Utiliza técnicas respiratórias e de controle da energia vital, exercícios psicofísicos, concentrações, purificações e relaxamentos.

Os mestres yogues conheciam profundamente nosso sistema energético. Consideravam-no como uma contraparte do corpo físico. Eles deram o nome de PRANA à energia vital que captamos do universo e que anima o físico; de NADIS aos canais por onde esta energia circula no nosso corpo sutil; e de CHAKRAS, aos centros que metabolizam e distribuem a energia vital pelo corpo. Também conheciam profundamente a função de cada chakra no organismo, sua ligação com nossos órgãos, plexos e glândulas e ainda, sua função psíquica.

Atualmente, esse conhecimento constitui a base de um trabalho de autoconhecimento e da terapia psico-energético. É a psicologia do Yoga.

Numa breve exposição deste assunto, apresentamos os sete principais chakras. Eles são entendidos como estados de consciência. Dependendo da evolução de cada pessoa, eles se apresentam mais despertos ou mais bloqueados, simbolizando diferentes níveis de consciência, indo do ser humano mais primitivo e bruto ao ser espitirualizado e iluminado.

Assim, o 1°. chakra corresponde no corpo físico à raiz da coluna. Sua energia está relacionada ao quanto nos sentimos ligados a este mundo, quanto nos sentimos encarnados, como tratamos as questões práticas e materiais, como a rotina e o dinheiro, e também com as emoções mais primitivas em nós, como a raiva e o medo. Se fossemos dominados exclusivamente pela consciência deste chakra, nos assemelharíamos aos homens da caverna, cuja principal preocupação era com sua própria subsistência. Se esse centro energético está abastecido e pulsando, temos uma relação satisfatória com o nível material, com nossa capacidade de luta e fuga, enfim, de cuidarmos de nossa própria sobrevivência e encarnação neste planeta. Ele nos dá o impulso inicial para nossa evolução. Se este chakra estiver bloqueado, pela negação de nossa condição humana, que é material, e sente raiva e medo, expressaremos dificuldades em lidar com questões práticas, inclusive de aceitação do nosso corpo, e de sobrevida.

O 2°. chakra está relacionado com a preservação da espécie, a fertilidade, a sexualidade e a criatividade. Opera com a energia sexual e afetiva. A maneira como lidamos com a entrega, a doação e o recebimento sexual e afetivo, a aceitação de nossa sexualidade, a relação com o prazer em nosso corpo, nos mostra se este chakra está funcionando bem ou se está bloqueado.

O 3°. chakra diz respeito ao poder. Enquanto a consciência do primeiro chakra assegura a nossa sobrevivência e a do segundo garante a continuidade da nossa espécie pela formação do casal, a do terceiro abre o leque dos nossos relacionamentos interpessoais, como família, ambiente de trabalho, sociedade. As polaridades neste nível são a submissão e a dominação, que bloqueiam nossa evolução. Uma boa resolução nesse nível é a atitude de cooperação no âmbito social.

A energia do amor abrangente, incondicional, compassivo, diz respeito ao 4°. chakra. Quando os conflitos dos três primeiros níveis de consciência estão elaborados, a conseqüência natural no nosso desenvolvimento é abrirmos o coração para incluir e compreender melhor a nós mesmos e a todos os seres humanos.

A comunicação coerente com a própria verdade, a autenticidade, a expressão artística e a descoberta da própria individualidade, são atributos do 5o. chakra.

O 6°. chakra abre a mente humana para a intuição, uma forma de conhecimento não racional, mas experiencial e direto.

O 7°. centro energético corresponde, quando devidamente desperto, a uma consciência de unidade. É a percepção que somos, ao mesmo tempo, um corpo físico, energético, emocional, mental e espiritual, e que esse ser integral está ligado a outras formas de vida e ao universo. Esse senso de unificação é a verdadeira espiritualidade, um estado de transcendência, possível de ser vivenciado pelo ser humano comum, em que o Yoga se apresenta como método.

A imagem do homem espiritulizado assemelha-se a uma árvore, que finca suas raízes na terra (1°. chakra) e abre sua copa para o céu (7°. chakra). Essa imagem mostra que a integração que o Yoga propõe é diretamente ligada à realidade, enraizada neste mundo, concreta. Assim, nenhum de nós necessita ausentar-se do mundo para se iluminar.

Caminhar no Yoga é mergulhar no universo rico que se encontra no interior de cada um de nós, onde o vislumbre de cada novo aspecto, as variadas paisagens que desbravamos, além de nos encantar, nos abastece com recursos e habilidades que transformam nossa aventura em nosso corpo, em satisfação e realização.

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