SURYANAMASKAR – A SAUDAÇÃO AO SOL

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Para alguns estudiosos do Yoga, entre eles, André Van Lysebeth, importante professor de Yoga da Bélgica, o Suryanamaskar antes de ser trazido ao Yoga pelo Rajah de Aundh, um indiano da casta dos guerreiros ou Kshatrias, fazia parte do severo treinamento físico e mental que os integrantes desta casta recebiam. Eles a repetiam de 12 a 108 vezes, ao nascer do sol. Isto é facilmente compreensível, porque a saudação ao sol é um excelente método de fortalecimento corporal, ativadora da energia solar, que é assertiva, dinâmica e expansiva; além de propiciar ao praticante reverenciar ao mesmo tempo, o astro-rei e o sol interior, arquétipo da luz e da centelha divina em cada ser humano. Foi assim que o Suryanamaskar foi adotado pelos mestres yogues, que desenvolveram diversas variações desta belíssima seqüência de posturas.

Como a astrologia é muito forte dentro da cultura indiana, cada postura da saudação ao sol está associada a um signo do zodíaco, de forma que quando fazemos uma volta do Suryanamaskar passamos junto com o Sol pelos doze meses do ano, ou seja, pelos doze signos do zodíaco.

Surya, em sânscrito, significa sol, namaskar é saudação. O sol além de ser fonte de vida, calor e luz, é acima de tudo, símbolo de conhecimento. Ele nos confere a capacidade de vermos, e com isso, nos proporciona o conhecimento imediato da manifestação de toda a criação. Em diversas tradições, temos o sol como símbolo de sabedoria ou conhecimento do nosso Self ou essência, tanto quanto a luz ou o fogo. Saudar ao sol, na tradição do Yoga, é reverenciar o divino, tanto na dimensão do macrocosmo, na luz do universo, que a tudo ilumina e desperta, quanto sintonizar e homenagear a dimensão íntima da luz, para que ela permaneça viva dentro de nós, iluminando nossas mentes, dando-nos discriminação e dissipando nossa ignorância.

No Hatha Yoga, a prática deste encadeamento de posturas aquece, fortalece e prepara o corpo para a prática dos asanas, as posições psicofísicas, pois ativa a circulação sanguínea, acelera a respiração e os batimentos cardíacos. Trabalha com o corpo de forma simétrica, melhorando a flexibilidade da coluna vertebral pelos sucessivos movimentos de flexão e extensão do tronco, beneficiando diversas articulações, como as dos tornozelos, joelhos, coxofemorais, pulsos e ombros. A musculatura costal ganha maleabilidade, enquanto as pernas são tonificadas. Além disso, estimula as glândulas endócrinas e aguça a mente.

Especialmente para as pessoas com um estilo sedentário de vida, esta pode ser uma importante prática diária. Se feita pela manhã, desperta o corpo e a mente para o dia, se praticada a noite, libera o corpo das tensões acumuladas no dia.

Para que o Suryanamaskar se transforme numa verdadeira prática do Yoga, ele deve ser feito com a mente conectada ao corpo, vivenciando cada movimento com consciência e inteireza, buscando um ritmo harmonioso, com movimentos contínuos e completos, sem violência, mas dentro da possibilidade de cada praticante. Muitos fazem desta saudação uma oração gestual, que dispensa palavras e usa a expressão corporal como instrumento de ligação com o divino. Outros acrescentam mantras, que são repetidos antes ou durante a seqüência. Um desses mantras é OM SURYAYA NAMAH, que pode ser traduzido por “Eu saúdo o Sol, fonte de luz e sabedoria”.

Esta seqüência pode ser realizada, para os mais adiantados, com a respiração controlada, inspirando-se nas extensões de tronco e expirando-se nas flexões; porém o mais indicado é que se mantenha a respiração livre por todo o tempo.

“O sol representa o arquétipo da síntese entre o humano e o divino, entre o ser corporal, mental e espiritual. O sol é o centro vivo e irradiador da vida humana. Devemos aproveitar a seqüência da Saudação ao Sol, para predispor nossas moradas, nossos espaços interiores para receber mais luz.”

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