YANTRAS

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Os yantras, assim como os mantras (as vibrações sonoras), são suportes para a estabilização da mente na tradição do Yoga. São formas ou diagramas utilizados para dar estrutura e centramento, especialmente na prática da meditação.

Yantra pode ser traduzido por: instrumento que serve para reter. A raiz etimológica yan quer dizer reter, restringir, controlar ou conter; e tra, faz referência a instrumento, artefato ou ferramenta.

Os yantras e os mantras são elementos presentes no yoga ritualístico do período védico ocorrido há mais de 6.000 anos. Foram atualizados pelo Tantra Yoga, uma abordagem mais recente e popular desta filosofia, que busca a transformação da consciência pela transmutação da energia que denomina Shakti. Atualmente, os yantras são usados em outras linhas, como no Hatha Yoga.

Diz-se que o yantra é o equivalente gráfico ou a estrutura do mantra. E o mantra seria a alma do yantra. Um é o corpo, o outro é a alma de um único sistema. Ambos são energéticos e simbólicos, se comunicam diretamente com o ser essencial, o self. São sons (mantras) e formas (yantras) macrocósmicas – representadas pelo plano divino, que vão despertar aspectos das deidades no microcosmo, ou seja, no interior de cada um de nós.

Segundo Georg Feuerstein (2001),

se mantra é a alma da divindade escolhida do iniciado, yantra é o corpo desta divindade. Yantra é também uma imagem do universo drasticamente reduzido, já que o universo é uma teofania, uma manifestação do Divino. Como um receptáculo ou veículo para a divindade invocada durante o ritual tântrico, o yantra é uma área sagrada carregada de poder espiritual. A palavra yantra significa literalmente “instrumento”, “recurso” ou “tramóia”. O yantra é de fato empregado nos rituais yogues como um instrumento de concentração e visualização. É uma representação gráfica das energias psicocósmicas associada com determinada divindade.

Yantras podem ser desenhados na areia, em papel ou madeira, ou então gravados em metal e outras substâncias duras. Consistem principalmente em formas geométricas simples, tais como ponto, triângulo, quadrado, retângulo, pentágono, hexágono, círculo e espiral, bem como pétalas de lótus e letras do alfabeto sânscrito. Às vezes, elementos mais pictóricos são empregados no seu desenho. As versões mais pictóricas são chamadas de mandalas, baseadas num arranjo circular (…). As mandalas se popularizaram no Ocidente através de Carl Jung e sua escola. Jung viu nelas “arquétipos de inteireza”.

 

Na Índia e no Tibet os praticantes de Yoga realizam rituais que duram vários dias para construírem seu yantra a partir da escolha de uma deidade que apresenta um aspecto que este deseja despertar, desenvolver ou fortalecer em si mesmo. Essa deidade, invocada mentalmente, apoiada pela visualização no yantra e vivificada pelo mantra correspondente, passa a representar a vida do yantra, o movimento do yantra pessoal. Através da invocação, da identificação e meditação, a pessoa passa a interiorizar o yantra, que se torna um recurso interno que enriquece aquele indivíduo que busca seu aprimoramento com a ação dos suportes doYoga. Esse processo pode ser repetido inúmeras vezes. Ao construir, introjetar e depois dissolver os yantras, o yogue segue atualizando o sagrado em si mesmo num desdobramento contínuo a favor de sua evolução.

Podemos também compreender o yantra como um instrumento cujo objetivo é refrear as forças do psiquismo, concentrando-as de maneira específica num padrão que possa ser reproduzido pela visualização do praticante.

Os elementos dos yantras são: uma moldura externa quadrada, quatro paredes com quatro portas orientadas para os quatro pontos cardeais, uma representação do universo. No interior do yantra está o que simbolicamente seria o santuário, representado por triângulos, círculos, flor de lótus, etc. Ao centro está o bindu, literalmente gota ou essência, para onde a concentração mental deve convergir. Bindu é considerado a semente da percepção.

No tantrismo o corpo assume grande valor, pois é o receptáculo para a divindade. O yantra vai ajudar a transformar a estrutura do corpo para receber a freqüência energética superior, ou seja, para sustentar a força da deidade que se quer apropriar.

O yantra também é utilizado na forma de um amuleto na medicina indiana para cura e proteção.

Por fim, trabalhar com yantra é se apoderar do processo de construção de um ser humano com qualidades, recursos e valores que ele escolhe consciente e voluntariamente. É abrir a mente para a compreensão de que cada indivíduo está ligado numa rede cósmica com planos superiores e divinos e que o universo é uma composição do micro e do macrocosmo. Tal como define um axioma básico do Yoga: “O que está em cima está também embaixo”.

 

Referência bibliográfica:

Feuerstein, G. – Tantra: sexualidade e espiritualidade, Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2001.

Zimmer, H. – Mitos e símbolos na arte e civilização da índia, São Paulo: Palas Atena, 1987.

Kupfer, P. – Dicionário de Yoga, Florianópolis: Dharma, 1999.

 

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