YOGASUTRAS DE PATANJALI

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É um corpo resumido da filosofia prática chamada Yoga. Considerado o livro mais autorizado e uma fonte fidedigna, pelos historiadores e filósofos ligados ao tema, para esclarecer o que caracteriza verdadeiramente o Yoga e o que não pode ser nomeado de Yoga.

Objetiva oferecer uma noção precisa do que é o Yoga e de que maneira deve ser praticado. Não detalha as técnicas que define, mas orienta como praticá-las baseado nos seus próprios preceitos éticos.

Foi escrito por um mestre de Yoga, Patanjali, por volta do ano 200 d.C., que o codificou em 196 aforismos, que são frases que sinteticamente vão abordando o tema ao longo de quatro capítulos.

O primeiro, o Capítulo do Samadhi, termo esse traduzido por estado expandido da mente, trata da natureza geral do Yoga e dos requisitos para a sua prática. Ocupa-se em habilitar o adepto no nível físico, mental, emocional e ético para praticar o Yoga.

Depois vem o Capítulo da Prática, descrevendo os 8 passos para se galgar ao estado de samadhi, reforçando o código de ética que o aspirante deve introjetar ao praticar uma filosofia que lhe confere muitos poderes e apresentando o Kriya Yoga. Este último resume as três aptidões indispensáveis ao aspirante: Tapas, disciplina, comprometimento; Svadyaya, estudo ou conhecimento e Ishvarapranidhana, a entrega ao Senhor ou o reconhecimento de uma ordem cósmica a ser respeitada e a qual o aspirante deve se submeter.

O terceiro é o Capítulo dos Resultados. Aborda a meditação e seus desdobramentos, descreve os siddhis ou os poderes que o yogue passa a conquistar como conseqüência de sua prática.

O último, o Capítulo do Isolamento, apresenta a finalidade da prática, isto é, a libertação ou Kaivalyam.

O texto de Patanjali deixa claro que o Yoga trabalha essencialmente com a mente e que o corpo precisa ser preparado, tonificado e estar em boa condição de saúde para auxiliar o treinamento da mente e que, muitas vezes, o corpo se transforma no objeto da concentração mental. Isso está claro na definição do primeiro capítulo:

“Yoga citta vrtti nirodha.” (I,2)

Yoga significa atrelamento, integração, união.

Citta é o centro ou o eixo em torno do qual a mente superficial ou as expressões da mente (vrttis) se movimentam. É um conceito semelhante ao inconsciente, um nível profundo da mente. Também é tomado como um observador interno, aquele que registra em algum canto da mente, todas as experiências da vida.

As Vrttis são o movimento da mente: os pensamentos, idéias, percepções. São projeções originadas em Citta, a mente profunda, com expressões para o mundo exterior. É a mente saltitante, dispersiva, superficial, em constante movimento, às vezes comparada a um redemoinho.

               Nirodha é o recolhimento, a inibição.

               Assim, Yoga é o recolhimento ou a inibição dos movimentos ou dos meios de expressão (vrttis) da mente (citta).

Esse específico estado recolhido de mente, nirodha, é o quinto e o mais elevado nível de atividade mental. Ele somente será atingido se, sucessivamente, o praticante reconhecer e superar os níveis anteriores. São eles:

1O – Nível – Ksipta – movimento inconsciente, metaforicamente é “o macaco bêbado”.

2o – Nível – Mudha – mente embotada, depressiva, “o búfalo atolado na água”.

3o – Nível – Viksipita – movimento sem direção ou propósito, dúvida, ambigüidade, sem comprometimento ou apropriação de si e de sua vida, “o homem comum”.

4o – Nível – Ekagrata – mente clara, com direção, “o praticante compromissado com o Yoga”.

5o – Nível – Nirodha – mente completamente vinculada ao objeto de sua atenção, sem distração, “o mestre do Yoga”. (Nirodha vem de rodha = da raiz rudh: estar envelopado e ni : grande intensidade interna).

O Yoga procura criar as condições para que, paulatinamente, pois entende que todo atalho é uma ilusão, a mente entre num processo de aquisição dos estados elevados de consciência, sempre a favor de sua evolução e da auto-realização do homem.

Patanjali foi sensato o suficiente para listar em seu livro os nove obstáculos que o praticante vai se deparar nesse caminho: doença, letargia, dúvida, pressa ou impaciência, distração, resignação ou comodismo, ignorância ou arrogância, incapacidade de dar um novo passo e perda da confiança. Explica que esses obstáculos que atravancam o desenvolvimento do aspirante se manifestam como sintomas em forma de autopiedade, pessimismo, problemas físicos e dificuldades respiratórias. (YSP I,30-31)

E assim como o Yoga identifica os obstáculos também sugere meios de superação, na forma de asanas, pranayamas, e todo o trabalho direto com a mente: prathiahara, dharana e dhyana. As orientações contidas nos yamas e nyamas também visam guiar o praticante nessa conquista.

Outro conceito importante enfatizado por Patanjali, é o de Avidya, que significa a compreensão incorreta. É o resultado das ações inconscientes e repetitivas que se acumulam por anos na mente de qualquer pessoa. Tornam-se os hábitos mecânicos ou os padrões de reação da mente originados em anos de repetição e de percepções incorretas da realidade. Avidya é a raiz que origina os bloqueios que impendem o praticante de reconhecer as coisas como verdadeiramente são. As ramificações de Avidya são: asmita, um senso de ego exagerado, determinando uma pessoa auto-centrada e narcísica; raga, o apego excessivo; dvesa, a rejeição desproporcional; abhnvesa, o medo desmedido.

As práticas do Yoga ajudam a mente do aspirante a se transformar num espelho de cristal, reduzindo a névoa de Avidya, para que a ação possa ser correta, consciente e criativa.

Quando se tem Vidya, que é o mesmo que sabedoria, a compreensão é clara, a pessoa sente calma, paz e quietude profunda dentro de si.

Entendemos assim que Patanjali expõe o Yoga como filosofia e prática, como método e objetivo ao mesmo tempo, como algo que facilita a integração do ego humano com sua essência, seu Purusha ou seu eu espiritual.

 

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